Super Vicky – Carai! Essa é do tempo do Epa!

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As manhãs de domingo e as tardes da Globo nas décadas de 80 em 90 eram repletas de enlatados norte-americanos, dublados, obviamente. Quem está na faixa dos seus 30 anos com certeza cresceu acompanhando clássicos como ALF , o ETeimoso (eu sei, eu sei, essa tradução…), o imparável McGuyver, Um Hóspede do Barulho ( aquele do Sasquatch, O Pé Grande), Magnus dentre outras maravilhas da telinha e isso tudo numa época em que nem sonhávamos com torrents, streaming, sequer TV a Cabo. Em meio a todos esses seriados, eu guardo muito forte na memória as imagens de uma menina-robô, hiper-forte, que dava saltos de 5 metros de distância com efeitos especiais tão toscos de Chroma-Key que deixariam o gato Satanás da Bruxa do 71 corado de vergonha. Essa guria-eletrônica obviamente estava inserida no contexto de uma familia tradicional norte-americana, fórmula padrão dos seriados cômicos da TV norte-americana da época. Estamos falando de Super Vicky, Small Wonder no original, uma das piores séries de TV de todos os tempos, de acordo com o USA Today, e que só poderia ganhar uma homenagem num site chamado Cocô na Cuia.

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Vicky na realidade se escrevia V.I.C.I, Voice Input Child Identicant, uma baboseira intraduzível que servia para se referir à essa robô com aparência de uma menina de 10 anos que usava um vestido muito similar ao da Moranguinho. Vicky fora criada por Ted Lawson, papel de Peter Baldwin, que posteriormente virou diretor e acabou premiado por episódios do ótimo seriado Anos Incríveis além de nos ter presenteado com aquela merda de franquia iniciada com A Vingança dos Nerds. Ted era um engenheiro/inventor que no meio dos anos 80 consegue criar esse brinquedo hiper-realista, que aliás possui uma entrada AC debaixo do seu braço direito para recarregamento de energia, uma porta serial (SIM!!!) debaixo do seu braço esquerdo e um painel de acesso nas suas costas, só não me pergunte o que tinha no lugar do forevis.

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Lawson resolve levar sua criação para casa, para que ela pudesse ser criada em um ambiente, afinal a tecnologia de redes neurais e inteligência artificial dos anos 80 permitira que ela se desenvolvesse como uma criança comum. Certo?

As tentativas de humor da série vinham das peripécias que a família formada por Jamie, o filho de 12 anos que vira “irmão” de Vicky, interpretado por Jerry Supiran, ator que fez uma porrada de coisa pra TV nos anos 80 mas que acabou virando um mendigo devido a um golpe que levou de uma stripper por quem se apaixonou no começo dos anos 90. Isso daria uma série muito melhor que Super Vicky hein?

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A matriarca da família Lawson, Joan, foi encarnada por Marla Pennington e esse foi seu último trabalho para a TV. A série realmente sepultou carreiras, incluindo a da própria protagonista, interpretada por Tiffany Brissette, que até era uma atriz mirim esforçada, cheia de talentos, sabia cantar, dançar, tocar, falava vários idiomas, mas que era extremamente limitada pelo papel que tinha que defender nessa série, uma máquina, sem emoções e que levava ao pé da letra tudo que os humanos falavam.

Ainda tinhamos a vizinha bisbilhoteira, a menina Harriet, papel de Emily Schulman, também posteriormente esquecida, que sempre suspeitou que havia algo estranho com aquela menina bizarra adotada pelos Lawson e que era perdidamente apaixonada por seu vizinho, Jamie.

Na terceira temporada os produtores tiveram que rebolar para explicar o envelhecimento da protagonista e ao invés de dar uma de Schwarzenegger em Terminator Genisys, resolveram dar um “upgrade” para a menina, literalmente. Ah, nessa mudança ela também ganhou roupas novas e um cu. Sim, um cu por onde ela poderia expelir toda a comida que ingerisse, assim ela teria mais cenas “familiares” da qual pudesse participar, como compartilhar um delicioso jantar com sua família, mesmo que ela não sentisse o sabor da comida.

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Para encerrar esse tributo, nos despedimos com um vídeo da abertura do programa como era reproduzida aqui no Brasil. Aproveite!