Hooligans Nerds Parte 4 – Marvel vs DC

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Na rivalidade das duas grandes editoras de super-heróis quem leva a melhor?

Fala aê seus lókes! Em tempos de Coxinhas vs. Petralhas, #teamCap vs. #teamIron, Bátima vs. Superman, Dolly vs. Coca-Cola, biscoito vs. bolacha… enfim, você entendeu a idéia. Então, nada mais justo do que aproveitar o momento e discorrer mais que o Gordo uma velha lavadeira fofoqueira sobre um assunto que está mais em voga do que nunca: as rivalidades no mundo nerd. Onde começaram? Onde vivem? Como se alimentam?

Nesta parte da série de artigos , trataremos da maior rivalidade que assola o mundo nerd quadrinístico: A batalha das gigantes editoras de heróis estadunidenses, a Marvel e a DC.

Se você perdeu algum dos capítulos anteriores, confira aqui:

Antes de começar, cabe aqui um ‘disclaimer’: vou tentar fazer isso o mais imparcial possível. Antes que me venham com qualquer mimimi, sou fã das duas editoras (infelizmente), e, apesar de ser um pouquinho tendencioso pra Marvel às vezes, coleciono gibis das duas. O pelo menos, colecionava. Sabe como é, a crise tá braba e tals…

As duas gigantes editoras de super-heróis surgiram no final da década de 30 / início da década de 40, em resposta à depressão durante a guerra. A cultura popular ansiava pela figura do ‘Super-Homem’, aquele que salvaria todos das forças do eixo (e, mais tarde, dos comunistas comedores de criancinha). Neste contexto que foi praticamente criada toda a fundação da ideologia das ‘cuecas por cima das calças’: pessoas idealizadas, com poderes fora do comum, que podiam fazer o que nenhuma pessoa normal podia. Além disso, todos os heróis tinham personalidades indefectíveis, eram todos íntegros e infalíveis, e não possuíam defeitos mundanos (tá, talvez com excessão do super-sacana… hehehehe!): eram quase deuses gregos (hmmmm, boiola!).

Superman sacana da Era de Ouro: O melhor de todos, TODOS!

A DC é a editora que possui os personagens icônicos, que se consolidaram e povoam o imaginário até de pessoas que nunca sequer acompanharam uma história em quadrinhos. Quem aqui nunca ouviu falar de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash ou Lanterna Verde? Também foi da DC a primeira iniciativa de criar um grupo de super-heróis, ainda na Era de Ouro, com a Sociedade da Justiça.

Sociedade da Justiça

A Marvel por sua vez, na Era de Ouro dos quadrinhos, fez sua estréia de maneira bastante modesta, e tinha como carros-chefe personagens de pouca expressão como o Capitão América, o Tocha Humana Original e Namor.

Marvel e seus personagens meia-boca, tinham como ‘background’ a Segunda Guerra Mundial

Foi na Era de Prata (na década de 60), que a Marvel começou a se diferenciar. Stan ‘The Man’ Lee e Jack Kirby chegaram para transformá-la na ‘Casa das Idéias copiadas‘. Titios Stan e Jack levaram os super-heróis a um novo patamar. Eles agora eram pessoas de verdade, de carne e osso como nós, com problemas reais como os nossos. Sejam eles problemas familiares (Quarteto Fantástico), dilemas morais como o racismo (com os X-men) ou até mesmo problemas financeiros (o seu amigão da vizinhança, Homem-Aranha). Os heróis agora não sofriam mais com o excesso de idealização e falta de personalidade como os icônicos da DC. Até mesmo a versão ‘Marvel’ do Superman, o Surfista Prateado, sofria com a xenofobia dos terráqueos, e não era surpreendentemente bem acolhido como um certo escoteirão de Krypton (tudo bem que no caso do Surfista, parecer com uma estatueta  do Oscar gigante também não ajudava).

Stan Lee chegou para dar mais ‘personalidade’ aos quadrinhos. Fonte da IBAGEM: ‘Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis’, de Renato Guedes. Ed. Kalaco.

Mas isso não é sinal que a Marvel era melhor que a DC, e sim que o público dos quadrinhos estava amadurecendo: não queria mais o preto no branco, e sim tons de cinza. Tanto que a DC também já se agilizava para mostrar facetas nunca antes vistas de seus personagens.

Na Era de Bronze (décadas de 70 e 80), a DC também provou que podia ‘humanizar’ seus personagens e nos presenteou com grandes referências do quadrinhos (presentes até hoje) como os Novos Titãs de Marv Wolfman e  George Perez, a Liga da Justiça Internacional de Keith Giffen e J.M. DeMAtteis e até mesmo o ‘reboot’ do Superman do John Byrne (para muitos ainda a origem definitiva do personagem).

Os Novos Titãs, de Marv Wolfman e George Perez

Também nesta época, foi inaugurada a era das grandes mega-sagas – eventos anuais que faziam crossovers de vários heróis da mesma editora em um evento único, que se espalhava por todas a publicações mensais (algo inédito naquela época): Primeiro veio a Marvel, com as Guerras Secretas, seguida pela DC que copiou criou aquela que é até hoje considerada a mãe de todas as sagas (e também a mãe de todos os mega-reboots de histórias de heróis), a Crise nas Infinitas Terras.

Crise nas Infinitas Terras

No início década de 90, a Marvel teve um crescimento vertiginoso em popularidade, devido às animações dos X-Men e Homem-Aranha (realidade que presenciei de perto, como já descrevi no interlúdio), e chutou bundas da DC.

A Distinta Concorrência, por sua vez, fez aquilo que ninguem pensava ser possível: matou o Superman. O ‘jenial’ Dan Jurgens foi o responsável por ‘cometer’o vilão Apocalypse, personagem vazio e sem propósito, criado única e ‘excrusivamente’ para matar o Superman. Logo depois veio o Bane (mais um vilão totalmente sem background) que aleijou o Batman. E, finalmente, o Lanterna Verde Hal Jordan ficou ‘locona’e virou vilão (fato atribuído mais tarde ao vilão Parallax, outro cocô de  personagem). Era o início da Era ‘Massa Véio’.

Superman vs. Apocalypse, o melhor vilão de todos os tempos (aham).

O contra-ataque da Marvel foi com os trabucos e pochetes: o reforço da Marvel foi ninguem mais ninguem menos que o único e inconfundível MESTRE Rob Liefeld. Sabe aquele CD do ‘É o Tchan’ que você tem lá no fundo do armário, mas tem vergonha de admitir que um dia gostou daquilo? Então, essa é a fase de passado negro, de vergonha alheia que a Marvel teve, e é até hoje motivo de chacota dos Marvecos (para os comunistinhas de faculdade tipo o gordo, marvecos são todos alienados de modinha e ser fã da DC é ‘cool’ por causa disso. Tá, nem é por causa disso, mas foda-se! Hehehehe!). Nessa época também, a Marvel quase entrou em concordata. Era a vez da DC sair por cima da carne seca. Apesar da DC também ter cometido um monte de atrocidades nesse período (Superman Elétrico, alguém?).

Eu tenho trabucos, pochetes e elefantíase. Vai encarar?

Daqui pra frente tudo vira uma puta quizumba do caralho: alguns artistas / autores (incluindo o mestre) sairam para fundar a Image, depois voltaram e tudo foi um troca-troca de talentos entre as editoras. Não vou entrar muito no mérito da discussão, porque, afinal de contas, isso já foi debatido no podcast de Reboots que entrará no ar muito em breve (espero). Mas ambas editoras tiveram seus altos e baixos nesse meio tempo, e continuam nesse troca-troca até os dias de hoje.

“Tá, mas você falou, falou e falou, e ainda não disse se a Marvel é melhor, ou se a DC é melhor!”. Ora meu caro amigo, já não está óbvio que a Marvel é muito melhor? Não existe A>B nem B<A. Existem sim, autores / artistas bons e ruins. Como já falei, há um intercâmbio de talentos muito grande entre as duas editoras. o Grant Morrison, aquele pra quem todas as putinhas do Bátima dão a bunda, há nem 10 anos estava escrevendo os Novos X-Men na Marvel. O contrário também vale: O Mestre Liefeld, que quase botou a Marvel em concordata, hoje é responsável por 3 títulos na DC. Putz…

Novos X-Men, de Grant Morrison

Ao longo dos anos é óbvio que uma copiava uma idéia da outra aqui e ali… e vice-versa. Mas nesse, como em qualquer outro mercado, com concorrência sempre quem sai ganhando é o consumidor. Pior se tivéssemos monopólio na indústria de quadrinhos… aí sim teríamos que engolir qualquer porcaria sem direito a reclamar.

Rapina & Columba do Mestre Liefeld

O que eu sinceramente não entendo é como as pessoas vestem a camisa das editoras como se fosse time de futebol: é um fanatismo quase religioso, e partidários de uma ficam torcendo pra que a outra se dê mal. E isso não só limitado ao mercado de quadrinhos, mas também seus derivados: o que eu já vi de DCnetes torcendo para que o filme dos Vingadores fosse um fracasso, e vice-versa (Marvecos torcendo pelo flop de Batman v. Superman) vocês não tem idéia! Mano, pra que isso? Será que esse povo é mesmo tão cego e burro a ponto de não perceber que o sucesso do filme dos Vingadores pavimentou o caminho para, por exemplo, um filme da Liga da Justiça (que é exatamente o que está acontecendo)?

Essa rivalidade é ainda mais ridícula aqui no nosso Brasil-sil-sil, já que uma mesma editora (no caso a Panini, dããã) é responsável pela publicação tanto da Marvel como DC. Ou seje, não importa se você comprar um gibizinho do Bátema ou do Wolverine, seu rico e suado dinheirinho estará indo para as mãos da mesma pessoa!

E aí? Amém? Vamos assumir que a Marvel é melhor parar as briguinhas bobas, dar as mãos e cantar Kumbaya?

Calma, calma suas piranhammmmms!

Enfim, esse foi o último capítulo desta série que ganhou o Eisner Awards de melhor artigo aleatório (mentira, nem ganhou). Não deixem de conferir os outros episódios nos links acima!