Trilogia Risen – Review

Quem só pincela de leve no mundo dos RPGs eletrônicos provavelmente nunca ouviu falar em Risen, quiçá em Gothic, seu “antecessor espiritual”. Isso porque ambas as séries são produzidas pela Piranha Bytes, produtora alemã relativamente desconhecida e sem o glamour (e os big bucks) de uma Bethesda da vida, para peitar um game da série The Elder Scrolls.

Isto posto, Gothic e Risen ficaram muito mais restritos a um nicho bem específico de gamers, e mesmo assim conquistaram uma grande legião de fãs e entusiastas. Ao passo em que Gothic era muito mais uma fantasia medieval tolkeniana, Risen acabou seguindo um rumo um pouco diferente abordando a pirataria como centro da narrativa.

Apesar dos games não serem necessariamente novos (2009, 2012 e 2014), tive a oportunidade de jogar a trilogia Risen em seqüência e, numa iniciativa nunca antes vista no CNC, cá está um reviewzão da série completa! Vamos lá?

Risen (2009 – PC / Xbox 360)

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O primeiro jogo se passa na ilha de Faranga, um local fictício baseado na ilha italiana de Sicília (com vulcão ativo e tudo mais), e você é um pobre sujeito que naufragou nessa ilha envolta em mistério por acaso (ou não?) e se vê às voltas com rebeldes fora-da-lei, magos, uma Inquisição querendo dominar a porra toda e um Titã adormecido dentro do vulcão e prestes a acordar. Dá pra tomar uma Kaiser antes?

Lá pelas tantas você descobre que na verdade o Titã está protegendo a ilha de Faranga das tempestades (isso, aquelas mesmas que naufragaram seu navio). Tempestades que por sinal estão sendo causadas pelas lutas dos demais Titãs no continente, que foram libertados quando os Deuses foram exilados pela humanidade. Só que no fim das contas, o Inquisidor Mendoza, grande vilão do jogo (spoiler, spoiler) quer controlar o Titã do Fogo dentro do vulcão para benefício próprio. É óbvio que isso dá cagada e cabe a você, o herói, salvar o dia.

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No final das contas, a ilha é poupada mas os demais Titãs continuam de zuera por aí, um diálogo entre o herói e Patty (uma NPC que te ajuda no decorrer do game e é filha do infame pirata Steelbeard) sugere que eles irão atrás dos demais Titãs na continuação.

Mas e tecnicamente? Risen é um bom jogo? Bom, lembre-se que o game é de 2009. Uma época em que Skyrim ainda estava germinando e RPGs eletrônicos não eram referência de boa jogabilidade. Sendo assim, Risen cumpre muito bem o que se propõe: a de ser um Elder Scrolls “Série B”. O game apresenta uma flora e fauna bem variada, belos cenários (até para os padrões de hoje o game não faz feio) e um mundo semi-aberto (lembrem que é uma ilha) repleto de lugares e segredos.

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O grande pecado talvez seja a jogabilidade, principalmente nas partes de combate. Desengonçado e com um sistema de combos confuso, as lutas de Risen fazem com que o jogo seja mais difícil do que deveria, e sem ter essa intenção. A navegabilidade pelos menus também está longe do ideal, mas nada que já não fosse esperado de um jogo já com 7 anos de idade.

Risen 2: Dark Waters (2012 – PC / Xbox 360 / PS3)

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O segundo game se passa em um arquipelágo similar ao nosso Caribe (pelo jeito cagaram para a ida ao continente sugestionada no jogo anterior). O herói sem nome agora faz parte da Inquisição (oi?), está caolho por algum motivo (hein?) e está baseado na ilha de Caldera, ultimo fortaleza dos inquisidores já que a ilha está pegando fogo devido à luta dos Lordes Titãs Ursegor e Ismael. Porra, não era mais fácil mudar de ilha logo de uma vez?

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Tudo começa quando um navio pirata é naufragado às margens de Caldera pelo Kraken, monstro comandado pela Titã dos Mares Mara (hmmmmm… Mara!). Você resgata a única sobrevivente que é – surpresa, supresa – a Patty do primeiro Risen. Juntos, vocês partem em uma aventura sem igual para derrotar Mara e sua gangue do barulho. Ah, e nesse jogo também vemos o pirata Steelbeard em carne e osso pela primeira vez (mas só pra ele ser assassinado por Mara no decorrer da história – olha o spoiler).

Risen 2 aprimorou quase todos os aspectos do primeiro jogo, com uma jogabilidade mais fluida e menus mais amigáveis. Até o sistema de combos melhorou e ficou menos sofrível. Mesmo assim, a qualidade do game ainda ficou um pouco aquém de seus concorrentes diretos, o que é uma pena.

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A ambientação “caribenha” também deu um charme a mais ao game: roupas de pirata, navios, tesouros enterrados… ah! E você também tem um papagaio e um macaco de estimação que você pode usar para alcançar itens e passagens secretas! Que da hora hein!? Outro aspecto muito original do game foi a “classe” de Mestre Vodu (vodu é pra jacú!) que você consegue se ficar do lado dos nativos.

Risen 3: Titan Lords (2014 – PC / Xbox 360 / PS3 / PS4)

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Finalmente chegamos ao terceiro – e mais recente – game da série. Este chegou até a ganhar uma versão “definitiva” para a oitava geração de consoles, porém apenas para o PS4.

Situado aparentemente logo após os eventos do segundo game, Titan Lords pela primeira vez traz um novo protagonista, dessa vez filho (nunca antes mencionado) de Steelbeard e irmão de Patty. Engraçado que ele é praticamente igual ao personagem dos dois games anteriores tanto fisicamente como na (falta de) personalidade. Se você não prestar atenção pode até achar que é a mesma pessoa. O que torna tudo isso particularmente estranho é que os protagonistas são tão, mas tão parecidos que até a interação deles com a Patty é quase igual. Ou seja, toda a tensão sexual aparente nos dois games anteriores é projetada nesse cara novo. Só que agora eles são irmãos. Eww…

Evolução... hmmm... "gráfica" de Patty nos 3 games...
Evolução… hmmm… “gráfica” de Patty nos 3 games… já existia silicone na era da pirataria? Pelo jeito em Risen sim!

Enfim, irmãos incestuosos ou não, em uma caça ao tesouro mal sucedida, a dupla dinâmica encontra uma portal de cristal, de onde emerge um lorde das sombras, que aparentemente rouba a alma do protagonista e ele é dado como morto. Você é resgatado por Bones, outra figurinha carimbada do jogo anterior, e você parte numa jornada para recuperar sua alma e derrotar o Lorde Titã da Morte, Nekroloth.

Vários outros personagens também retornam dos jogos anteriores, como o druida Eldric, a xamã Chani e o gnomo ladrão Jaffar, fazendo com que Risen 3 pareça muito mais uma continuação direta do 2 do que o 2 era do 1.  Aliás isso chega até a ser um problema: os dois jogos ficaram tão parecidos que parecem exatamente o mesmo. Até o as ilhas do mapa são as mesmas (com algumas diferenças, óbvio).

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Pouco foi feito também pelas mecânicas do jogo, mas foram feitas algumas melhorias necessárias: agora você consegue ver quando está carregando o golpe forte, por exemplo. Alguns “finishing moves” foram inseridos às batalhas para maior efeito dramático. Tentaram adicionar também mini-games de batalhas contra monstros marítimos e navios inimigos. Mas o resultado final não foi muito feliz (principalmente se você comparar com Assassin’s Creed Black Flag ou Rogue, por exemplo). Mas o grande estigma (e que vem desde o primeiro game), infelizmente não foi consertado em nenhum deles: a progressão de skills. Ao invés de ter uma skill tree bem definida você tem que comprar (literalmente) suas habilidades de treinadores espalhados pelo mundo.

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Entre mortos e feridos, a Piranha Bytes veio polindo seu sistema de jogo desde o primeiro game, e Risen 3 nos brinda com uma conclusão digna para uma longeva série de RPGs que, de maneira impressionante, conseguiu se manter relevante em um mercado que é dominado por “Titãs” do gênero. O trocadilho não foi intencional. Mentira, foi sim.

Os três games funcionam muito bem em seqüência, e o universo criado por eles é extremamente rico em detalhes e história. Se você é um daqueles piá pançudo que nem eu, criado nas mesas de RPG e que devora tudo quanto é RPG eletrônico, de Elder Scrolls até Final Fantasy, vale a pena dar uma chance à trilogia Risen. Os games volte e meia estão por um preço bem atrativo na Steam. Eles já até fizeram parte de um recente Humble Bundle da Deep Silver (atual distribuidora dos games).

Vamos ao placar?

Risen

Notas-30

Risen 2 – Dark Waters

Notas-30

Risen 3 – Titan Lords

Notas-35