Assassin’s Creed – Review

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Quem já jogou qualquer game da franquia Assassin’s Creed sabe que as piores partes são sempre aquelas fora do Animus, onde você está preso nos laboratórios da Abstergo (ou tentando fugir deles), aguardando uma oportunidade para voltar à história dos seus antepassados. Agora, imagine se fizessem um game da franquia que se passasse 80% na Abstergo e apenas 20% no passado. Provavelmente ele seria um fracasso, não é verdade? Pois é, e é exatamente o que fazem no filme…

2016 foi um ano promissor para as adaptações de games para o cinema com dois nomes de peso: primeiro, com Warcraft em junho; e recentemente com Assassin’s Creed. Infelizmente, nenhum dos dois conseguiu viver às expectativas.

Não leve a mal, Assassin’s Creed não é necessariamente um filme ruim, e nem de longe a bomba que muitos críticos estão pintando. Como adaptação de game, ele até tem lá seus méritos: consegue ser bem “digerível” e agradável para o público em geral (aqueles que nem sabiam que AC se tratava de um game, por exemplo).

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Com uma introdução de arrepiar os cabelos do sovaco, com Aguilar (Michael Fassbender) proferindo seu juramento perante ao Credo dos Assassinos, que parece que vai dar o tom do longa. Ledo engano…

Já cortando para a parte chata o presente (na verdade 1986), logo somos apresentados à maneira como um jovem Callum Lynch (descendente de Aguilar) teve seu primeiro contato com a guerra dos Templários contra Assassinos, fato

Mais um corte abrupto e uma águia voando depois (prepare-se para umas duzentas cenas de águias voando), já vemos Cal 30 anos depois no corredor da morte (e sem explicação nenhuma). Na verdade sua morte nada mais é que uma pegadinha do Mallandro da Abstergo, que sequestrou o cabra para fuçar nas memórias do seu ancestral e descobrir onde está a Maçã do Éden, um artefato que é um velho conhecido do fã dos games, mas que aqui apenas contém o mapa do genoma humano para o livre-arbítrio. Mas hein?

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Pois é, a agenda oculta dos Templários é disfarçada de uma causa nobre: erradicar a violência humana (?) que pode ser extirpada como um câncer (??) porque a violência nada mais é que um gene humano (???) e os descendentes dos Assassinos são usados como cobaias pois eles já tem uma pre-disposição genética à violência (?!?!?!??!??!). Dude, DAFUQ?!?

As cenas de ação, por mais escassas que sejam, são um dos pontos positivos do filme. Apesar de muitas vezes picotadas e confusas, tanto as lutas quanto as escaladas de parkour estão muito bem executadas e fazem lembrar que estamos realmente assistindo à uma adaptação de AC. O problema é que a Ordem de Asssassinos que acompanha Aguilar não passam de meros coadjuvantes insossos. Até Maria, interesse romântico de Aguilar e protagonista das melhores cenas de ação tem apenas duas ou três linhas de diálogo o filme inteiro. Nem mesmo o elenco de peso, os oscarizáveis Fassbender, Jeremy Irons e Marion ‘Nunca vi graça nenhuma nessa guria’ Cotillard conseguem entregar boas atuações.

Li uma outra crítica lá no Legião dos Heróis que dizia que o filme de Assassin’s Creed precisava de um DLC. Discordo. Precisa de vários… Enfim, pelo menos o terreno foi preparado, e o Credo dos Assassinos foi apresentado para uma audiência mais amplas. Torço para que o filme tenha seqüências, mas prefiro que sejam feitas de maneira antológica do que uma continuação direta. Nenhum dos personagens tem o carisma necessário pra me fazer ter vontade de revê-los no cinema. Ezio mandou lembranças.

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