Liga da Justiça – REVIEW *SEM SPOILERS*

Se você era um nerd gordinho nos anos 70/80/90 que ia nas bancas e devorava gibis sabe que a Liga da Justiça é o maior grupo de super-heróis de todos, todos, TODOS os tempos (chupa Vingadores!). E, se você já sabia disto, o seu hype para o filme da Liga deveria ser mais que 9000. Mas e aí? O filme estreiou essa semana, repleto de expectativas. E elas foram atendidas?

É óbvio que não.

Não leve a mal: a Liga não é um filme ruim, pelo contrário. Ele tem seus momentos de glória. O grande problema é que eles são muitas vezes ofuscados por problemas que remetem às obras de teor mais duvidoso da Warner / DC como Esquadrão Suicida (vish). Mas vamos por partes…

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Desde o princípo, o universo cinematográfico da DC recebeu diversas críticas pelo seu tom mais soturno e sombrio, diferente das cores vibrantes e piadinhas dos filmes da sua maior concorrente, a Marvel.

Liga da Justiça, conforme já havia sido prometido pela Warner e por Zack Snyder, abraça esse tom mais leve e super-heróico, na figura de um Flash extremamente inseguro porém divertido; um Aquaman beberrão e canastrão; e até um Batman virado no tiozão do pavê. Isso não é necessariamente ruim, pelo contrário. Mas o exagero e a falta de timing às vezes fazem com que as piadinhas sejam mais constrangedoras do que engraçadas e minem os momentos potencialmente dramáticos (não que a Marvel não esteja cansada de fazer isso também huahuahuhuauhauhahuahua).

O que tem de ruim?

Toda a introdução dos personagens no começo do filme é feita de maneira aleatória e desconexa, remetendo muito ao infame Esquadrão Suicida. A reunião de todos os heróis em sim, por mais que leve mais de uma hora de película, ainda parece um tanto apressado (e forçado). Bom, pelo menos eles não ficam naquela lenga-lenga da Marvel de “Não somos um grupo, trabalho melhor sozinho…” (mentira, o Aquaman até fala isso uma vez, mas só no comecinho). Falta coerência em vários momentos, e isso que Joss Whedon foi chamado para rodar algumas cenas de conexão… imagina se não tivesse?

Dentre os protagonistas o ponto fraco é o Ciborgue. Ele tinha de tudo pra ser o elo principal da trama dada a sua relação com as Caixas Maternas, mas ele é relegado a coadjuvante e muitas vezes simplesmente esquecido. Todo o seu dilema pessoal de não saber se é homem ou máquina / humano ou alienígena é resumido em meia dúzia de linhas de diálogos apressados e depois deixado de lado. Talvez estejam guardando uma “gordura” para o filme solo do herói.

Outros personagens potencialmente interessantes também aparecem mas acabam cumprindo apenas a função de “coadjuvantes de luxo”: Comissário Gordon, Mera, e outros que não posso mencionar em texto sem dar alguns spoilers.

A parte mais fraca da produção é sem sombra de dúvidas o vilão. Steppenwolf é tão desinteressante e unilateral quanto o seu CG mal feito. Faltou aquele sentimento de urgência e perigo que um vilão super poderoso deveria trazer… dentre um panteão de vilões tão vasto do universo DC, teriam escolhas melhores e mais interessantes. É até compreensível usarem um dos Novos Deuses para fazer a conexão com Darkseid para eventuais futuros filmes, mas até isso é feito de maneira bastante tímida (talvez para evitar a óbvia comparação com o primeiro filme dos Vingadores).

Senti falta também daquelas cenas que parecem ter saído direto de uma página dos quadrinhos. Já tivemos vários exemplos, tanto da Marvel quanto DC, como a luta do Capitão América e Homem de Ferro em Guerra Civil; o próprio embate de Batman vs. Superman; entre outros… aqui o clímax simplesmente não acontece. Sinceramente, eu esperava que fosse a cena de retorno do Superman, mas é tudo resolvido de maneira tão rápida e trivial que desperdiçaram uma bela oportunidade.

E por último, uma birra pessoal: não aguento mais aquele cenário da piscininha barrenta dentro da nave kryptoniana, já usado exaustivamente em três filmes diferentes. Deu né, dona Warner?

Mas e o que tem de bom?

O entrosamento do grupo como um todo funciona muito bem. Apesar de completamente diferentes, Ben Affleck está cada vez mais à vontade como Batman, Gal como Mulher Maravilha (apesar de abusar um pouco da canastrice) e, fechando a trindade, Superman finalmente é retratado como um símbolo de esperança ao mesmo tempo que se impõe como um alienígena com poderes que beiram o divino. Pena sua participação ser um tanto curta… ah, em tempo: e muita gente falou que o bigode removido digitalmente (o ator precisou voltar para refilmagens) ficou mal feito. Eu sinceramente nem percebi…

Na parte dos novatos o destaque fica com o Flash. Exageradamente inseguro e piadista, muita gente não curtiu essa abordagem. Eu gostei (e muito), foi o breaking point do tom soturno de Zack Snyder para deixar o filme mais leve e palatável (e menos massante para as mais de 2 horas de projeção). Fiquei bem curioso para ver o potencial do personagem desenvolvido em seu filme solo, Flashpoint. Jason Momoa também não faz feio com seu Aquaman (com direito a piadinhas sobre ele falar com peixes e tudo mais), apesar de seu visual remeter mais à um Khal Drogo surfista do que ao personagem clássico.

Conclusão

Entre erros e acertos Liga da Justiça consegue entregar um filme divertido, mas que nem de longe faz jus aos maiores heróis da Terra. Mas entre mortos e feridos, finalmente temos um universo compartilhado da DC consolidado nos cinemas. E como a DC / Warner está se mostrando cada vez mais disposta a corrigir seus erros (ainda que longe da perfeição), que venham mais filmes!

IMPORTANTE: fique até o final projeção, o filme tem duas cenas pós-crédito, ambas ótimas.