Top CNC – Sucessores espirituais do mundo dos games

Neste Top CNC vou falar um pouco sobre os antecessores (ou sucessores) espirituais (menos famosos ou não) de games ou franquias de sucesso.

Valem jogos que sejam antecessores ou continuações diretas, compartilhem o mesmo universo, ou simplesmente serviram de fonte de inspiração  para outros games.

Entendeu a proposta? Não né? Mas não importa, vamos lá mesmo assim!

System Shock > Bioshock

Em décimo lugar temos System Shock 1 e 2, jogos que eram relativamente conhecidos pela galerinha do PC master race dos anos 90. O que pouca gente sabe é que System Shock (1994) e System Shock 2 (1999) são os pais espirituais de nada mais nada menos que… Bioshock! Isso mesmo, a cultuada franquia da sétima geração de games não apenas foi altamente inspirado pelos dois System Shock, como tem praticamente a mesma equipe criativa por trás.

Bioshock e seus Big Daddies

Pra quem jogou ambas as séries de games fica fácil notar as semelhanças. Algumas teorias de fãs até sugerem que os jogos se passam em um mesmo universo, em períodos de tempo diferentes. Porém, nada confirmado oficialmente.

System Shock 1 original (Enhanced Version da Steam)…

Recentemente, um remake do System Shock original foi financiado pelo site de financiamento coletivo Kickstarter, arrecadando mais de um MILHÃO de doletas. O game foi lançado em 2017.

… e o seu remake de 2017.

Agora, se o seu negócio é comer cu e buceta old school, os dois games originais estão disponíveis para Steam, GOG e demais plataformas digitais do PC, em toda sua glória noventista.

King’s Bounty > Heroes of Might & Magic

King’s Bounty (1990) foi um jogo de estratégia lançado para os PCs (e posteriormente, para Mega Drive), e precursor de uma série que ficou bem famosa, também nos PCs: Heroes of Might and Magic (hoje já em sua sétima encarnação).

King’s Bounty original, coisa linda.

As semelhanças entre os dois games não é mera coincidência: ambos foram publicados pela New World Computing nos anos 90, e tiveram o mesmo designer (Jon Van Caneghen). Ele próprio, por sinal, considera o primeiro Heroes como uma seqüência direta de King’s Bounty. O jogo é, inclusive, parte de várias antologias de HOMM.

Might and Magic Heroes VII (2015)

Em 2007, a distribuidora russa 1C comprou os direitos da franquia King’s Bounty e, devido à semelhança, associou o nome à um título em produção pela Katauri Interactive, então com o nome de provisório de Battle Lord. O jogo então, foi rebatizado de King’s Bounty: The Legend. Desde então, várias seqüências também foram lançadas, e King’s Bounty passou a co-existir com Heroes of Might and Magic como uma franquia completamente diferente.

King’s Bounty: The Dark Side (2014)

Em agosto de 2015, um outro jogo, intitulado “Royal Bounty HD” também foi lançado, com MUITAS semelhanças com King’s Bounty , mas esse na verdade não tem nada a ver com o original e foi kibado na cara dura mesmo.

Sweet Home > Resident Evil

A franquia Resident Evil teve seus altos e baixos nos últimos anos, mas ainda assim continua sendo uma das mais aclamadas e queridas séries de Survival Horror, e também uma das definidoras do gênero.

O que pouca gente sabe é que Resident Evil é inspirado em um game chamado Sweet Home, do Nintendinho, lááááááá do longínquo ano de 1989.

Sweet Home, jogo lembrava muito mais um RPG por turnos que um survival horror.

O game foi lançado apenas no Japão, e era baseado num filme de terror de mesmo nome. Diferente de sua reencarnação moderna, Sweet Home lembrava muito mais um RPG no estilo Dragon Quest, com visão de cima e combates por turnos. O grupo era formado por cinco personagens, cada um com habilidades e itens únicos (lanterna, lockpick, kit de primeiros socorros, etc). A parte “terror” vinha de algumas cutscenes com imagens bem gráficas (para a época).  Ah, e o game também possuía um cruel sistema de “permadeath”. Ou seja, se um dos personagens morresse, ele continuaria morto até o final do jogo, sem chororô. Inclusive o final variava de acordo com o número de sobreviventes.

A história era sobre um grupo de amigos que se arriscam na mansão abandonada de um falecido pintor famoso chamado Mamiya (Mamika?) Ichirou para fazer um documentário, no melho estilo Bruxa de Blair. Ao entrar na casa, as portas atrás fecham-se atrás deles e o grupo descobre que a mansão está assombrada pelo fantasma de Mamiya, entre outras criaturas. Agora devem encontrar uma maneira de escapar da mansão antes que todos estejam mortos.

A família Baker em Resident Evil VII.

O último Resident Evil (o sétimo) contém alguns easter eggs de Sweet Home em suas fitas de VHS interativas, que contam a história de uma equipe de filmagem que se aventurou na mansão Baker e seu trágico fim.

Wasteland > Fallout

Fallout é uma das séries de RPG de maior sucesso na atualidade, e dispensa apresentações. E se você sabe que Fallout,  originalmente (lá em 1997) não era um game em primeira pessoa como conhecemos hoje, e sim um RPG isométrico e por turnos, já merece meu respeito. Agora, se você sabe que a série Fallout foi inspirada em outro jogo da Interplay chamado Wasteland e lançado em 1988, você é O CARA!

Fallout (4) como os Nutellinhas o conhecem
Fallout (2) como os homens de verdade o conhecem

Lançado pela Electronic Arts para o Apple II e posteriormente portado para o Commodore 64 e MS-DOS. O game era bem avançado para o seu tempo, possuía um mundo aberto e liberdade de dar inveja à vários RPGs de hoje. As mecânicas do jogo eram baseadas no RPG de mesa Tunnels & Trolls (por sinal, do mesmo designer do game, Ken St. Andre).

Wasteland em 1989
E olha que bacana: agora em fevereiro de 2020 lançaram um remake / remaster do game original!

Também foi um dos primeiros jogos da história a contar com um mundo “persistente”, onde as mudanças feitas ao mundo de jogo eram guardadas e salvas. Pode parecer trivial nos dias de hoje, mas na época era um grande avanço. Por isso, o jogo precisava ser copiado do disco de origem para o disco rígido para ser rodado. Como em 1988 HDs em computadores caseiros era algo bem raro, isso acabou limitando um pouco a abrangência e o sucesso do game, o que o tornou esse clássico cult hoje em dia.

Wasteland 2, projeto financiado pelo Kickstarter.

Assim como System Shock e King’s Bounty, Wasteland também criou vida própria como franquia muitos anos depois: um projeto também no Kickstarter financiou Wasteland 2, com gráficos modernos usando a engine Unity, porém mantendo os aspectos de gameplay (e dificuldade) do original.

Seiken Densetsu > Secret of Mana

O próximo não é nem um caso de sucessor espiritual, e sim uma seqüência direta que acabou, literalmente, se perdendo na tradução. Quase todo mundo que viveu na era 16 bits conhece Secret of Mana, um dos maiores  representantes dos jRPGs de ação da geração. Agora, o que poucos sabem é que ele é o segundo game da série (oi?) e é parte de uma trilogia (akuma?)

O nome original da série é Seiken Densetsu (algo como ‘A Lenda da Espada Sagrada’), e o primeiro game saiu para o Gameboy, em  1991. O problema é que a Squaresoft, numa estratégia a la SBT (que traduziu , resolveu lançar o jogo nos EUA sobo o nome de Final Fantasy Adventure, com o intuito de vender mais às custas do nome da franquia de sucesso. Ok, em defesa da Square, o primeiro game foi concebido como um spin off de FF mesmo…

Final Fantasy Adventure / Seiken Densetsu 1 para GameBoy
E seu remake Adventure of Mana que é uma fofura e está disponível até para Android / iOS

Problema é que quando Seiken Densetsu 2 foi lançado em inglês para o Super Nintendo, já não fazia sentido manter o nome, então ele foi rebranded para “Secret of Mana”, que é como conhecemos o jogo hoje.

Secret of Mana / Seiken Densetsu 2: O mais famosão
Remake de Secret of Mana: apesar de criticadíssimo, trouxe o jogo para a nova geração.

A série ainda teve mais uma seqüência (e na minha opinião o melhor dos 3): Seiken Densetsu 3, que melhorava todas as mecânicas, história e desenvolvimento de personagens do 2 (tudo bem que o segundo game passou por um produção conturbada, mas isso é história para um outro post). Infelizmente, o game foi lançado apenas no Japão. A desculpinha oficial foi que o game não teria público na ‘Merica, mas a verdade é que a tradução seria bem custosa pois o texto em japonês usava um tipo de compressão que tornava complicadíssima a adaptação para caracteres romanos.

Seiken Densetsu 3, anos sem uma tradução oficial
e o remake Trials of Mana que sai ainda este ano: Quero!

Com o advento da internet e da emulação, um grupo de fãs fez uma tradução não oficial, e, apenas recentemente em 2019, a Squeenix tomou vergonha na cara e lançou a trilogia completa (e traduzida) para o Switch.

Na época, ao invés de lançarem Seiken Densetsu 3 no ocidente, a Square teve a genial idéia de lançar um jRPG enlatado nos EUA, e batizá-lo de “Secret of Evermore”.

Secret of Evermore, o Mana enlatado americano.

O primeiro e o segundo games recentemente receberam remakes para várias plataformas, e o terceiro está com lançamento planejado para agora em 2020 sob o nome de Trials of Mana.

Seiken Densetsu ainda teve duas seqüências oficiais: Legend of Mana (PS1) e Dawn of Mana (PS2), além de vários spin offs para diversas plataformas. Porém nenhum deles foi um grande sucesso comercial (inclusive o de PS2 é uma bela de uma bosta). Espero que com estes remakes e relançamentos a série finalmente volte a brilhar.

Mother > Earthbound > Mother 3 > Oddity

Falando em jogos perdidos na tradução, também temos o caso do RPG da Nintendo para o Super NES, Earthbound. Assim como Secret of Mana, não foi o primeiro / único jogo da série, mas também é o capítulo do meio de uma trilogia.

Mother 1, para o Nintendinho. O game foi lançado em 2015 na Nintendo e-Shop como “EarthBound Beginnings”

O nome da série em japonês é apenas “Mother”. Por que Mother? Sinceramente, não sei… as especulações de Internet giram em torno de ter algo a ver com “Mother Earth”, já que o game trata de uma invasão alienígena à Terra; outros já acham que o título refere-se à mãe adotiva humana do vilão Giygas.

EarthBound: Assim como Mana, o segundo game da série é o que ficou mais popular no Ocidente.

Um terceiro game da série havia sido anunciado para o Nintendo 64, mas foi descontinuado porque usaria o 64DD, periférico que acabou não dando muito certo.  Mother 3 acabou dando o ar da graça apenas em 2006, para o Gameboy Advance.

Mother 3 ficou anos em gestação (trocadilho não intencional) e acabou saindo para GameBoy Advance, com a mesma carinha dos demais jogos.

E agora as coisas ficam um pouco estranhas… no lançamento do terceiro game, o criador Shigesato Itoi falou que este seria o último da série. Fãs do mundo inteiro botaram pressão na Big N para uma continuação, e a Nintendo, como a maioria das produtoras japonesas, simplesmente cagou para todo mundo.

Com isso, em 2010, algumas pessoas começaram a trabalhar em um Mother 4 fan made. Felizmente o game nao recebeu um C&D (Cease & Desist) como normalmente é o caso. Contudo, como o time trabalhando no projeto era pequeno, e sem nenhum tipo de compensação financeira ele foi sendo adiado por anos e anos até que em 2017 eles anunciaram que o game não seria mais uma continuação de Mother, e sim um stand-alone chamado Oddity.

Oddity, tributo ou plágio?

Recentemente, em janeiro de 2020, um teaser do jogo foi revelado, mas ainda sem uma data definida para lançamento.

Final Fantasy I > Final Fantasy IX

Final Fantasy é uma das mais longevas séries de jRPG, e um fato bem peculiar é que aparentemente nenhum dos games é seqüência direta do outro, nem compartilham o mesmo universo. Aparentemente.

Na verdade, temos duas exeções à regra. Uma delas (e a mais cabeluda) veremos no primeiro lugar deste top; a outra é a bizarra relação que Final Fantasy I possui com Final Fantasy IX.

É isso mesmo. Se você prestou atenção no fiapo de história que Final Fantasy I oferecia, vc percebe que Garland, vilão que você derrota logo no começo, volta ao passado e acaba criando a entidade conhecida como Chaos, o deus da destruição. Na última dungeon do game, os heróis também voltam ao passado para derrotar Chaos.

Chaos em Final Fantasy I (PSP Remake)

Em Final Fantasy IX, um homem chamado Garland é um dos principais antagonistas, e criador de Zidane e Kuja. Ele acaba sendo morto por Kuja, que quebra o cristal e desperta a entidade conhecida com Necron, cujo propósito é literalmente fazer um reboot em toda a existência. Coube à Zidane e companhia botar Necron de volta para dormir. Mas especula-se que outra entidade foi despertada neste mesmo incidente: isso mesmo, Chaos, o grande vilão de FFI.

Garland em Final Fantasy I
…e sua encarnação em Final Fantasy IX!

Infelizmente, não há nenhuma confirmação oficial da Square que os games realmente se passem no mesmo universo, então isso é basicamente uma fan theory. Mas coincidência ou não, ainda é um fato interessante o suficiente para garantir um lugar nessa lista.

Marathon > Halo > Destiny

Halo é a franquia que por muitos anos foi (e ainda é) carro chefe da Microsoft Game Studios, e foi quem colocou a então desconhecida produtora Bungie no mapa. O que pouca gente sabe é que Halo não foi a primeira incursão da Bungie em FPSs de ficção científica.

O ano era 1994, e os jogos de tiro em primeira pessoa estavam começando a despontar, tendo como seu maior representante o hoje clássico Doom. Mas o computador da Apple na época, o Macintosh (que por sinal já não possuía compatibilidade com muitos jogos), não tinha seu próprio representante de FPS Eis que a então novata Bungie resolveu lançar, exclusivo para o Mac, o game de ficção científica Marathon.

Feito nos moldes de Doom e afins, Marathon se diferenciava pelo seu intrincado enredo, também um elemento essencial de sua jogabilidade, enquanto que a maioria dos jogos semelhantes da época dedicavam uma atenção mínima ao enredo e eram voltados mais à ação rápida. Marathon também possuía um inovador (para época) modo multiplayer deathmatch para até oito jogadores. Esta funcionalidade fez com que o jogo ganhasse o Macworld Game Hall Of Fame Award de melhor jogo multijogador de 1995.

Marathon Trilogy para tablets.

Marathon foi o primeiro jogo de uma coletânea conhecida como Trilogia Marathon, o qual em adição ao Marathon inclui duas sequências, Marathon 2: Durandal e Marathon Infinity, lançados respectivamente em 1995 e 1996.

Por incrível que pareça, Marathon ainda é jogado por um grande número de jogadores veteranos do Mac e tem uma pequena, mas forte comunidade de entusiastas que ainda criam conteúdos personalizados para o jogo.

Em 1996, a Bungie fez um port de Marathon para o console de videogame da Apple, o Pippin. Nunca ouviu  falar? Pois é… o único console da grande maçã foi um fiasco, com baixíssimas vendas e logo caiu no esquecimento.

Apple Pippin: Feio e caro pra caralho.

Anos depois Bungie traiu o movimento da maçã,  e foi bater na porta da casa do tio Bill Gates. O resultado todos conhecemos: o já mencionado Halo, uma franquia que marcou a entrada da Microsoft oficialmente no mundo dos video-games. Porém, em 2010, a Bungie resolveu seguir carreira solo, porém Halo continuou como propriedade intelectual da Microsoft.

HALO 5: Mesmo não estando mais nas mãos da Bungie, franquia ainda é carro-chefe do Xbox.

Novamente, o resultado dessa recisão amigável não é segredo pra ninguém. Anos mais tarde, em 2014, a Bungie lançaria o jogo favorito do Mamika: Destiny.

Destiny e a infame Loot Cave

Como sempre, tem gente que caga regra e diz que Marathon, Halo e Destiny co-existem em um mesmo universo, cada um em sua galáxia.

ActRaiser > Soulblazer > Illusion of Gaia > Terranigma > Granstream Saga

Se tem um jogo que eu lembro que foi febre entre a molecadinha aqui no Brasil na era do Super Nintendo foi Illusion of Gaia. O jogo era um RPG de ação da Quintet (e distribuído pela Enix, antes do merger com a Square) e possuía jogabilidade simples, história cativante e gráficos impressionantes para a época. O jogo vivia aparecendo nos detonados das Super Game Powers e outras revistas especializadas, e quando alguém conseguia alugar “o Gaia” na locadora, era um tal de emprestar revistinha com detonado pra lá e pra cá.

Illusion of Gaia: Quem nunca viu esse screenshot nas folhas de uma Super Game Power?

O que a piazadinha não sabia (e muita gente continua sem saber até hoje) é que Illusion of Gaia é o sucessor espiritual de outro game da Quintet, SoulBlazer. Invlusive, em IoG, se você coletasse todas as 50 Red Jewels escondidas pelo jogo, poderia ser transportado para uma dungeon secreta, cujo boss é Solid Arm, um dos chefões de SoulBlazer.

O boss Solid Arm em SoulBlazer…
…e na Dungeon secreta de Illusion of Gaia!

Este, por sua vez, é creditado como seqüência de um outro famoso game da era 16 bits:  O protagonista de SB é um avatar mandado pelo “Mestre” para a Terra para expulsar os demônios, uma alusão à ActRaiser, jogo em que você controlava uma divindade e misturava elementos de plataforma com estratégia.

Actraiser: Jogo maneiríssimo de SNES que misturava elementos de plataforma e estratégia.

Mas chega de falar dos antepassados e vamos falar de continuações. Porque sim, Illusion of Gaia TEVE continuações (tá, talvez não continuações, mas sucessores espirituais). E não estou falando de um tal de Illusion of Time, que foi boatado na época, inclusive por revistas de grande circulação aqui no BR. IoT existiu sim, mas era nada mais, nada menos, que as versões européias e australianas de Gaia. Por que mudaram o nome? Não sei, só sei que foi assim.

Vamos combinar que pelo menos a capa européia é bem mais legal.

Enfim,  o sucessor em questão foi Terranigma, game que encerrou a “trilogia da criação” da Quintet. Com uma temática similar à de SoulBlazer, você controlava Ark, um sujeito que vive em um mundo completamente desolado, onde apenas uma cidade sobreviveu no subterrâneo. Depois de fazer uma cagada e congelar todos os moradores desta última cidade (parabéns campeão!), Ark embarca numa  missão de restaurar o mundo à sua forma original.

Terranigma tem o mesmo “jeitão” de seus antecessores.
Bloody Mary, ainda um dos boss mais difíceis da história dos jRPGs. Detalhe: ela NÃO é opcional.

O surpreendente do jogo é que, à medida em que Ark “ressucita” o mundo, vamos vendo um planeta Terra mais e mais parecido com o nosso. Com direito até a um Brasilzão na jogada. Isso mesmo, lá pelas tantas você desperta uma cidade chamada Liotto (nada a ver com o lutador de MMA). Enfim, Liotto nada mais era que um Rio de Janeiro (mal) disfarçado. Inclusive com um Cristo Redentor em um “Corcovado Hill” e um restaurante onde você pode provar clássicos da culinária brasileira:

  1. Suras (?)
  2. Fuejada (???)
  3. Caipilina (???????)
Oba!
Não, pera…

É claro que eles se referiam à churrasco, feijoada e caipirinha. A tradução deu uma falhada aí. Até não dá para culpar os caras, já que o game é de uma época pré-Google Tradutor e outras facilidades modernas.

Curiosamente, o game nunca foi lançado nos EUA, apenas Japão e Europa. Talvez por isso ele não ficou tão conhecido quanto Gaia ou até mesmo SoulBlazer e ActRaiser, todos com versões para a Terra do Tio Sam.

Se você gosta de procurar chifre em cabeça de cavalo, ainda tem mais um game na linha successória: Granstream Saga, um divertido (e pouco conhecido) RPG de ação para o PS1. Embora não tenha sido produzido por uma tal de ‘Shade’ e distribuído pela THQ, a grande maioria da equipe criativa era o povo de onde? Isso mesmo, da Quintet.

Mina, cadê teu rosto?!

Como é meio que um “filho torto” da franquia, nem vou entrar em muitos detalhes. Só vale mencionar que os modelos poligonais dos personagens não tinham rosto, e isso me incomodava profundamente.

Ah, tá aqui!

Enfim, por essas intrincadas nuances que ligavam quatro games (cinco se considerar ActRaiser 2 e seis se considerar Granstream Saga), os jogos da Quintet ficam com nosso segundo lugar.

Ivalice Universe (Final Fantasy Tactics > Vagrant Story > Final Fantasy Tactics Advance > Final Fantasy XII…*)

Me responda uma pergunta: O que Final Fantasy Tactics, Vagrant Story e Final Fantasy XII têm em comum? Que são todos da Square / Square Enix eu sei. Mas em termos de jogo? Aparentemente nada, certo? Errado!

Final Fantasy Tactics, o “cult” (versão para Android e iOS)

Todos os games (e seus derivados) co-existem em um mesmo universo, o Reino de Ivalice. Ivalice seria o equivalente da Europa medieval no universo de Final Fantasy. Apesar de ser o nome de apenas de um continente, acabou batizando todo um cenário de fantasia medieval (similar com que acontece com Forgotten Realms, de Dungeons & Dragons, por exemplo).

Vagrant Story, o clássico esquecido do PS1.
Peraê… o cara tá lutando de TANGA?

Diferente da relação entre Final Fantasy I e IX, que pode ser considerada especulação de fãs, easter eggs, ou simplesmente uma baita coincidência, os jogos que se passam em Ivalice REALMENTE se passam no mesmo universo (ainda que em épocas diferentes).  Então compartilham o mesmo lore, localidades, e até alguns personagens vez ou outras fazem aparições em outros jogos.

Final Fantasy XII The Zodiac Age

Por esse motivo, o universo de Ivalice é o nosso grande campeão e primeiríssimo lugar. Achou pouco? Isso é porque ainda não falei dos demais “agregados”:

  • Final Fantasy XII: Revenant Wings (DS)
  • Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift (DS)
  • Final Fantasy Tactics: The War of the Lions (PSP)
  • Crystal Defenders (iOS, Android)

E agora? Merecido ou não é?

Abaixo algumas outras menções honrosas de games que tem sua co-relação um pouco mais óbvia (ou não):

  • Baldur’s gate > Icewind Dale > Planescape Torment > (e muitos outros)
  • Goldeneye 007 > Perfect Dark
  • Warcraft > Starcraft
  • Xenogears > Xenosaga
  • Shin Megami Tensei > Persona
  • Tales of Phantasia > Star Ocean
  • Wolfenstein > Doom > Heretic
  • Guilty Gear > BlazBlue

E aí? Lembrou de mais algum que não está aqui na lista?  Comenta aí!