Top CNC – A série Final Fantasy, rankeada do pior ao melhor

Sempre gostei de RPGs eletrônicos. jRRGs então, nem se fala. E não tem como falar de jRPGs sem mencionar a série Final Fantasy. A série, que curiosamente nasceu como uma tentativa desesperada de salvar uma empresa da falência, e hoje é um fenômeno mundial. Entre erros e acertos a Square Enix (antes Squaresoft) raramente nos deixa na mão quando o assunto é sua franquia carro-chefe. Raramente…

Por algum motivo do destino (estava mais focado em jogar no PC na época), passei meio que despercebido pela geração do Playstation 2. Então, apenas recentemente (com essa onda de HD remasters) que tive a oportunidade de zerar os dois últimos que faltavam para completar a série principal (no caso, o X e o XII).

Por isso resolvi botar tudo em prespectiva e fazer um ranking de toda a série Final Fantasy, do pior para o melhor. Só estou considerando a série principal, e jogos single player (portando XI e XIV foram deixados de fora). Como de costume, recomendo também a versão que você deveria jogar caso tenha interesse.

13. Final Fantasy II

Diferente da série rival Dragon Quest, que sempre segue a mesma receita de bolo desde a sua criação, Final Fantasy sempre teve um DNA mais experimental. Para o bem ou para o mal.

Combate na versão original (NES)…
… e da versão para Android / iOS

Essa experimentação começou cedo, logo no segundo game da série. O tradicional sistema de “level up” foi substituído por um esquema que desenvolvia apenas o atributo usado. E.g. se você atacasse com sua arma, aumentava sua força; se apanhasse, aumentava o HP, e por aí vai… a idéia era até boa, e várias franquias de sucesso usam sistemas parecidos (como The Elder Scrolls). O problema é que no caso de FFII ficou tão desbalanceado (e.g. o combate permitia que você se auto-batesse pra virar um tanque de guerra ambulante nos primeiros minutos de jogo) que comprometia a experiência como um todo.

Todos esses problemas técnicos aliados à uma história clichê de um império malvado querendo dominar o mundo e personagens esquecíveis fazem deste o piorzinho dos Final Fantasys (ou seria Final Fantasies?)

Versão que o Balão recomenda: PSP (se você tiver um), se não iOS / Android

12. Final Fantasy XIII

O décimo terceiro jogos é outro exemplo de um experimento que não deu muito certo. Os “paradigmas” tentaram simplificar o sistema de Gambits que deu muito certo em Final Fantasy XII, porém a falta de profundidade do combate acaba matando a diversão de quem prefere uma abordagem mais estratégica.

FFXIII: bonitinho, mas ordinário.

Mas essa não é a maior falha do game, e sim sua linearidade. Os mapas se resumem em mover de ponto A até B, com uma linearidade digna das fases de Call of Duty. Enquanto isso pode não ser problema pra muitas pessoas, é uma falha gravíssima em um RPG. Apenas bem para o final do jogo é que você tem uma certa liberdade em Gran Pulse (ainda que o planeta seja um gramadão gigante sem muito o que fazer a não ser enfrentar alguns bichões), e a oportunidade de revisitar alguns mapas.

Esse sistema de paradigmas não colou muito.

A Squeenix até tentou aprimorar a experiência no universo com o XIII-2 e Lightning Returns, mas vocês sabem como é… esses spinoffs raramente são bons, e esses não fogem à regra.

Versão que o Balão recomenda: Steam (ou PS3 / X360)

11. Final Fantasy I

FF1 é um clássico absoluto. Foi onde tudo começou e até hoje é referência para diversos games do gênero. Isto posto, ele envelheceu muito mal.

O combate classicão (NES), que faz você bater no ar
E, novamente, a versão pra iOS / Android

O alto nível de dificuldade fazia com que o grind fosse uma necessidade e a mecânica de “bater no vento” quando o inimigo já morreu também não é lá muito legal. A possibilidade de você montar seu grupo no começo é um charme que remete aos RPGs clássicos, mas uma escolha errada pode desbalancear sua party e fazer do jogo (que já é difícil) quase impossível. Apesar disso, tem vários malucos na internet que fazem runs com 4 white mages, por exemplo. Mas não é todo mundo que é masoquista a esse ponto.

Versão que o Balão recomenda: PSP (se você tiver um), se não iOS / Android

10. Final Fantasy III

Se eu tivesse que descrever FF3 com UMA palavra, eu definiria como “legalzinho”. O jogo não apresentou grandes evoluções em relação aos seus antecessores, salvo pelo sistema de jobs que viria a ser reaproveitado em outras instâncias da franquia.

O último boss, Cloud of Darkness em FFIII (NES)

Com uma curva de dificuldade absurda que exigia uma grande quantidade de grind principalmente mais para o final do jogo (o último boss ainda é um dos mais difíceis de toda série), o game era um tanto assustador para jogadores de RPG novatos.

o remake 3D do NDS reimaginou os personagens e cenários.

O game só recebeu uma versão oficial traduzida com o remake 3D para o Nintendo 3DS, Os personagens também receberam nomes e características próprias ao invés dos “Onion Knights” do original.

Uma diversão despretensiosa e sem muita profundiade.

Versão que o Balão recomenda: iOS / Android

9. Final Fantasy XV

O último game da série principal teve uma produção no mínimo conturbada. Surgiu como um derivado de FFXIII (lembram do Versus XIII?), teve o lançamento adiado várias vezes e inclusive mudou de plataforma. O resultado a gente vê no produto final: um Frankenstein de algumas boas idéias (e outras nem tanto) costuradas entre si de uma maneira um tanto desconexa e sem fluidez.

“meu pai morreu LOL fodase vo da um role de carro”

Uma coisa temos que admitir, esse foi o game em que a Squeenix mais arriscou em sair de sua zona de conforto, e absorveu várias características dos RPGs ocidentais.

Você vai olhar pra essa paisagem por mais ou menos uns 80% do jogo.

E até certo ponto, essa mudança funciona bem. A primeira metade do jogo, com ênfase na parte de “road trip” até que é bem agradável. Os personagens de apoio desempenham seu papel (tanto que cada um deles ganhou seu DLC dedicado), mas com um adolescente chato como protagonista fica difícil segurar a barra. A conclusão da história de uma maneira tanto quanto apressada compromete um bocado a experiência também.

Os summons são os mais impressionantes da série até aqui (e olha que isso é coisa), porém você não tem NENHUM controle sobre eles.

Versão que o Balão recomenda: Final Fantasy XV Royal Edition – contém a maioria dos DLCs (Steam / PS4 / Xone / Switch)

8. Final Fantasy X

Agora a lista começa a ficar um pouco mais polêmica. FFX é um dos favoritos dos fãs (muitos colocam ele no Top 3 ou ainda em primeiro lugar). E não me entenda errado, eu gosto muito do X e ele é o último dos FFs com jogabilidade clássica por turnos.

Porém, ele tem uns probleminhas: assim como o XIII, ele é totalmente linear até praticamente o final do jogo quando você finalmente consegue um airship e pode voltar pra lugares previamente visitados.

Segundo, o protagonista é a cara da Meg Ryan. Mentira, isso não é um problema, mas porderia ser.

HA HA HA HA HA HA HA HA!

Na verdade a segunda falha grave é a quantidade de mini-games extremamente frustrantes que você tem que passar, principalmente se você quiser desbloquear as ultimate weapons e poder fazer o conteúdo do final do jogo. De partidas de blitzball (eca) a corridas de chocobo semi-impossíveis, e passando pela odiosa tortura de ter que desviar de 200 raios seguidos, FFX consegue ser um teste de paciência para um monge budista.

Os gráficos envelheceram bem e ainda dão um caldo na versão HD remaster.

No lado bom das coisas, a história de FFX é bem bacana e original. Os personagens, apesar de parecer terem saído de um bloco de carnaval, são bem carismáticos e gostáveis. A mecânica de combate também é uma das melhores até aqui: você consegue alternar dinamicamente entre os membros do grupo que estão na “reserva”. É o combate em turnos em seu ápice.

Esse aqui (O X-2) vem de brinde nas versões remasterizadas. Mas quer um conselho? Passe longe!

Versão que o Balão recomenda: Final Fantasy X|X-2 Remaster (Steam / PS4 / PSVita / Xone / Switch)

7. Final Fantasy VIII

Outro favorito dos fãs, muitos vão dizer que merecia um lugar mais alto na lista.

Protagonista mais mal humorado que o Mamika

O game abandonou a estética “super deformed” de FFVII e estabeleceu um novo patamar gráfico para os demais jogos de época. Pela primeira vez também os combates aconteciam em tela cheia, sem aquela “barra azul” embaixo.

A história é meio que uma mistura de Harry Potter (?) com Barrados no Baile (??), Mercenários (???) e Cavaleiros do Zodíaco (????). Saca só: tem um lugar chamado Balamb Garden que treina adolescentes chatos para atuar como uma espécie de milícia e resolver umas tretas sinistras. E tudo isso em ritmo de azaração total. Ah! E esses adolescentes foram todos criados no mesmo orfanato por uma bruxa má que por sinal está possuída pelo último chefe do jogo (spoiler foda-se). Só que ninguem lembra porque aparentemente usar as summons do jogo tem o mesmo efeito de maconha e todo mundo perde a memória.

O combate, como falei acima, além de lindão ainda era bem interessante e usava todos os elementos conhecidos da mecânica por turnos. Contudo, ao invés de usar MP adicionaram um sistema de “draw” para as magias, que consistia basicamente em “sacar” magia dos seus inimigos. Isso até que foi relativamente bem bolado, o problema maior é que você podia meio que “equipar” as magias em seus atributos. Ou seja, com apenas um pouquinho de grind você podia ficar extremamente poderoso, e o combate totalmente desbalanceado. Até mesmo no super boss do game, Omega Weapon.

Na versão vanilla do jogo ainda tinha um glitch que possibilitaca o uso indefinido dos Limit Breaks através da magia Aura, o que deixava o jogo ainda mais fácil.

Remaster HD estragou um meme de quase 20 anos.

Vale ressaltar que o minigame de cartas do FF VIII é até hoje um dos mais legais em qualquer franquia de RPG.

Versão que o Balão recomenda: Qualquer um que seja remasterizado em HD (Steam / PS4 / Xone / Switch)

6. Final Fantasy XII

Parece que na geração do PS2 todo protagonista de FF tinha que ser a cara da Meg Ryan.

O décimo segundo game também foi longe em arriscar: foi o primeiro game da série principal (excluindo MMOs) que não contava com combate em turnos, substituindo o tradicional sistema por um semi-tempo real com um sistema que você montava uma lista de ações previamente para os seus personagens chamadas de Gambits. Era como escrever uma receita de bolo pra cada: “se você apanhar, use cura; se o inimigo for de gelo, use fogo; e por aí vai…”

Outro que ainda dá um caldo em sua versão remasterizada (Zodiac Age)

Pra falar a verdade, eu tinha um pouco de preconceito com os Gambits: eu achei que no final das contas eles acabariam por tirar a estratégia e o desafio do jogo. Felizmente, eu estava enganado. O sistema de Gambits é mais complexo (e mais customizável) do que eu imaginava. Também subestimei os inimigos (principalmente mais perto do final do jogo), eles usam estratégias e ataques que invalidam seus Gambits e podem resultar em um Game Over rapidinho, o que faz com que inserção de comandos manuais e adaptações em sua estratégia sejam necessários.

Ambientado em um universo já estabelecido (o mundo de Ivalice, palco de outros games como Final Fantasy Tactics e Vagrant Story – leia a história completa AQUI), FFXII tem um dos cenários mais ricos e complexos de toda a série, tanto na parte de ambientação (cidades, locais, etc), como na história (tramas políticas e conspirações). A história do game é basicamente sobre um golpe de estado, o que é também uma bem vinda mudança de tom do tradicional “salve o mundo do vilão megalomaníaco”.

Game lembra muito um MMO. Só que sem a parte MMO.

Infelizmente, FFXII foi lançado em uma época em que MMO RPGs estavam em seu ápice devido ao World of Warcraft e similares. Então, FFXII se esforça ao máximo para emular um MMO em alguns aspectos, e isso acaba comprometendo um pouco o potencial do game de criar uma experiência única. Mapas enormes e com pouco (ou nenhum) conteúdo, explorações desnecessariamente longas, “fetch quests” e até mesmo baús com RNG, só para citar alguns.

Mas para mim, a cereja do bolo é a quantidade de referências e homenagens que FFXII faz a seus antecessores. Os últimos chefes Chaos (I), Zeromus (IV) e Exdeath (V) são chefes opcionais e summons (aqui chamados de Espers, alusão ao VI); Também vemos outros monstros e personagens recorrentes, como DeathGaze (VI), Ultros (VI) e Gilgamesh (V) – esse último com direito a música remixada da versão original. Enfim, não que esses detalhes influenciem na qualidade técnica final do jogo, mas definitivamente fazem a mão da referência tremer. Eu sou fã e quero serviço.

A mão da referência chega a tremer

Versão que o Balão recomenda: Final Fantasy XII The Zodiac Age (Steam / PS4 / Xone / Switch)

5. Final Fantasy IV

O quarto game é o que tem mais remakes, remasters e versões pairando por aí. Ele é um dos mais queridos entre os fãs pois foi o que trouxe FF para os 16 bits lá em 1991.

Uma cutscene da versão 3D do NDS

Foi também o primeiro a adicionar um pouco mais de profundidade aos personagens, principalmente ao protagonista Cecil ao mostrar sua jornada de redenção quando ele começa a questionar os métodos do Rei a quem ele deve lealdade.

Em termos de mecânicas, o IV é um dos mais triviais: personagens tem classes fixas, magias e desenvolvimento de personagens são exclusivamente através do acúmulo de experiência e level up, e combate por turnos conforme manda o figurino.

Os combates, na versão original (SNES);
complete collection, para o PSP;
e do remake 3D para NDS, que foi portado para várias plataformas.

Por apostar nessa simplicidade e manter o foco no desenvolvimento dos personagens e na diversão ao invés de mecânicas aleatórias (e muitas vezes desnecessárias) que o game agrada tanto, e por isso ganhou tantas versões e remakes.

Ele chegou até a ganhar uma continuação direta: FFIV The After Years foi lançado como uma série episódica para o Wii e PSP, e um remake 3D (usando a mesma engine do IV) para 3DS e Steam.

Vai por mim, a de PSP é a mais legal!

Versão que o Balão recomenda: FFIV Complete Collection para PSP. Acredite, essa versão com gráficos 2D é muito melhor (e mais bonita) do que as versões em 3D disponíveis para as outras plataformas.

4. Final Fantasy IX

Outro que se contentou em fazer o básico, mas o fez muito bem feito. Foi o terceiro jogo da série para o PS1, e marcou o retorno às origens com fantasia medieval pura e simples. Enquanto o VII apostava numa ambientação mais steampunk e o VIII misturava elementos de magia com tecnologia, com sabe-se lá mais o que, o IX veio pra desenroscar toda essa maçaroca, voltar para a simplicidade e fechar a geração com chave de ouro.

Fofinho né?
Como já dizia o gordo “é tão bobinho, mas tão gostosinho…”

Depois do tom meio soturno e depressivo do VIII, a Square apostou em um tom mais leve, com personagens mais caricatos e uma boa dose de humor. O resultado não poderia ter dado mais certo.

Versão que o Balão recomenda: Qualquer um que seja remasterizado em HD (Steam / PS4 / Xone / Switch)

3. Final Fantasy V

FFV tem muitos detratores, principalmente no que diz respeito à história. Realmente, a história não é top-notch, mas era bem razoável levando em consideração se tratar de um jogo da era 16 bits, e pode-se dizer que é mais consistente que o enredo de jogos mais “cheirados” como o VIII e o XIII, por exemplo.

Ao mesmo tempo que a história não era lá essa Coca-Cola toda, o gameplay por sua vez era fenomenal. FFV pegou o sistema de “jobs” que já havia dado certo em FFIII, e o aprimorou de uma maneira que, apesar de simples, permitia combinações e estratégias mais elaboradas.

Os sprites são horríveis nessas versões, mas pelo menos você pode admirar as belas artes de Yoshitaka Amano nos diálogos

Outro ponto forte do game é seu desafio (que por sinal fez com que ele ficasse inédito no Ocidente até o início dos anos 2000, quando foi relançado para o PS1). O combate é extremamente desafiador e exige o uso inteligente do sistema de jobs supracitado, principalmente para encarar o final do jogo (Exdeath é um dos últimos chefes mais difícil da série), e os super bosses opcionais (Shinryu e Omega Weapon). O game , ao invés de exigir horas e horas de grind desnecessário.

Hora da comparação! Uma batalha contra Gilgamesh na versão de GBA (quase igual à de SNES)
… e no remake disponível para Steam / Android / iOS

Falando nisso, foi aqui que foi estabelecido o conceito de “super boss” na série. Apesar de ter pincelado a idéia desde o começo (com Warmech em FFI), foi aqui que os inimigos brutais e que tirariam o sono de muitos gamers. Omega Weapon, inclusive, é recorrente em vários jogos da série.

Versão que o Balão recomenda: Android / iOS (apesar dos sprites feios no estilo de FF Dimensions (parecem mais gráficos de RPG Maker), pelo menos tem gráficos em HD e formatados para wide-screen. E o jogo é essencialmente o mesmo.

2. Final Fantasy VII

Apesar de ser o mais famoso da lista, o sétimo game recebe tanto amor quanto ódio da fanbase. Muita gente aclama como o melhor da série, enquanto outros rejeitam afirmando que fez a série se distanciar de suas origens. É aquela velha história de gamer raiz x gamer nutella, uma vez que FFVII foi a porta de entrada para a série de várias pessoas.

Ame ou odeie, fato é que FFVII foi um divisor de águas, e foi o game que fez com que a série fosse popularizada no Ocidente. E ele fez um excelente trabalho ao levar a franquia do 2D para o 3D.

É…
acho que o gráfico melhorou um pouquinho…

Por incrível que pareça, quando o jogo foi lançado em 1997, estabeleceu um novo patamar para a indústria de games, tanto gráfico quanto narrativo.

Apesar de não ter envelhecido tão bem, as mecânicas do jRPG sobreviveram bem aos anos, e o sistema de Materia ainda é um dos melhores da série.

O primeiro boss no original
E no remake

Ainda que o remake esteja às portas do lançamento e irá adicionar uma pegada mais de ação ao jogo , o FFVII original é um clássico atemporal que deve ser jogado em toda sua glória noventista.

Versão que o Balão recomenda: Qualquer um que seja remasterizado (Steam / PS4 / Xone / Switch)

1. Final Fantasy VI

De longe, o melhor Final Fantasy da série principal é o VI. O game de 1994 é um triunfo absoluto em todos os sentidos. Foi o último da geração 16 bits, e veio pra fechar com chave de ouro. O jogo contém o maior “elenco” de personagens da série principal (16, se considerar Gogo e Umaro), e estabeleceu uma ambientação steampunk que serviriam de inspiração para o VII e VIII. Pela primeira vez na série a magia co-existia com avanços científicos e tecnologia da Segunda Revolução Industrial.

O game em sua versão original, no SNES.

Com uma cadência perfeita, FFVI atingiu um patar de impacto narrativo tão alto (pra época) devido à maneira como o cenário foi estabelecido. Quem não lembra de Kefka contaminando a água do castelo de Doma e matando (quase) todos seus residentes? Ou da tentativa de suicídio de Celes quando Kefka consegue destruir o mundo (spoiler foda-se)? Chupa Sephiroth!

A primeira metada introduz (ui!) o elenco: Terra, Locke, Celes, Edgar, Sabin e companhia. Não existe protagonista absoluto e todos tem papel igualmente importante na trama.

Tá, esse remake ficou meio feio, mas pelo menos a essência continua a mesma.

A linearidade da primeira metade permite que esses personagens cresçam e criem laços entre si – um feito impressionante considerando que temos mais de uma dúzia de personagens (ok, alguns são melhores desenvolvidos que outros, eu admito); Já a segunda metade abre o mundo para uma exploração não linear, e ver como cada personagem seguiu seu caminho após o fim do mundo. Esse conceito de “mundo aberto” não era muito usual na geração 16 bits, e foi um grande feito do jogo.

O combate nas versões atuais. Esse menu não é grandes coisas, mas favorece o uso de controles touch.

O game conta ainda com robustas mecânicas de customização, um sistema de Magicites (que combinava os summons com o aprendizado de magias), bem como habilidades únicas para cada personagem.

Combate contra Ultima Weapon, (mal) traduzido como “ATMA” no ocidente (SNES)

Tudo em FFVI, da história ao sistema de combate e rico mundo para ser explorado fazemo do game uma experiência quase sem falhas. É um dos representantes máximos do auge da Squaresoft na era de ouro dos jRPGs, e talvez um dos melhores já criados. Na minha humilde opinião, ele está pau a pau com Chrono Trigger, outra obra-prima da Square.

O último boss, Kefka, no port para GBA.

Versão que o Balão recomenda: Android / iOS (apesar dos sprites feios no estilo de FF Dimensions (parecem mais gráficos de RPG Maker), pelo menos tem gráficos em HD e formatados para wide-screen. E o jogo é essencialmente o mesmo. Se fizer muita questão dos sprites antigos, recomendo a versão da Steam, no PC tem alguns mods gratuitos que trocam os personagens do jogo pelos modelos originais do SNES.