Das Antigas – Treasure of the Rudras (Rudora no Hihou)

Os quatro protagonistas (da esquerda pra direita): Riza, Sion, Surlent e Dune (sentado).

OLAR amiguinhos! Hoje estou aqui pra falar de um game que foi muito injustiçado e não teve o devido reconhecimento na época. Talvez por ter sido lançado já no final da vida útil do Super Nintendo (1996, na época que PS1 já era o bichão), ou pela dificuldade em traduzi-lo, ou por pura má vontade mesmo.

Enfim, estou falando de Rudora no Hihou (traduzindo seria algo tipo Rudras’ Treasure ou Treasure of the Rudras), uma das últimas incursões da Squaresoft no Super Nintendo. O primeiro tchan do jogo está justamente na temática, que bebe muito da mitologia Hindu – coisa que já não é lá muito comum para jogos do gênero; Segundo, o jogo conta com um sistema bem inovador de magias (aqui chamados Mantras): você mesmo escreve suas palavrás mágicas, e cada sílaba, prefixo e sufixo tem potencial efeito no resultado final – podendo deixar sua magia mais forte ou mais fraca, alterando elementos, etc.

E o terceiro (e talvez ponto forte principal do jogo) são os quatro protagonistas: Sion, Surlent, Riza e Dune. Cada um “herda” uma das Jades dos Rudras, e tem sua própria missão separada a seguir, com diferntes companheiros, mas que se interseccionam em momentos chaves da trama. Ao completar as campanhas de de Sion, Surlent e Riza, os três se juntam à Dune para o capítulo final.

Rudra é o Deus Hindu do trovão, e muitos acreditam que seja uma das encarnações de Shiva. O nome, em sânscrito, siginifica “Aquele que elimina o mal pela raiz”. Aliás, este ciclo de destruição e renascimento também está muito presente na trama do game: a cada 4 mil anos um Rudra nasce, extingue toda a civilização e dá abertura para o nascimento de uma nova. Aconteceu com os Danans, com os Homens-Lagartos, os “Sereios” e os Gigantes no passado. E agorá é vez de quem ser varrido da face da terra? Quem? Quem? Acertou quem disse que seriam os humanos. Pois é, e cabe aos nossos heróis interromper esse ciclo de destruição e renascimento pela primeira vez.

Graficamente o jogo é um primor, e tirou leite de pedra do Super Nintendo. Especialmente se considerarmos que ele não faz uso de nenhum tipo de chip especial de expansão de memória como Star Ocean ou Tales of Phantasia. É a pixel art em sua melhor forma, com algumas animações quase inacreditáveis para um console de 16 bits. Seria a evolução natural da série Final Fantasy se o jogo não tivesse migrado para os gráficos poligonais no ano seguinte

Para a música, os medalhões da casa como Nobuo Uematsu já estavam trabalhando em outros projetos como Final Fantasy VII, então a Squaresoft resolveu apostar no “underdog” Ryuji Sasai, compositor de trilhas de jogos não tão populares como SaGa 3 (Final Fantasy Legends III nos EUA) e o infame Final Fantasy Mystic Quest. Com um estilo um pouco diferente de Uematsu e uma pegada mais rock’n roll, Ryuji entregou uma trilha sonora maravilhosa única e inesquecível, mantendo a tradição da casa.

Mas o que será que deu errado? Como uma jóia oculta dessas não teve um reconhecimento maior? Bom, como já mencionado ele saiu bem lá no último suspiro da geração 16 bits, quando a galerinha já estava bem mais interessada nos gráficos poligonais quadradões do Preisteixo 1; também devido ao sistema de magias / mantras que apontei anteriormente, tornou o processo de tradução do game (na época) quase impossível, já que cada “letra” japonesa não representa apenas uma letra, e sim uma sílaba ou fonema; e, finalmente, o game tinha uma taxa de encontros aleatórios com inimigos MUITO altas, capaz de testar a paciência até de entusiastas do gênero. Ou algum desses três motivos ou a Square ficou com preguiça mesmo porque já sabia que ia encher o cu de dinheiro com Final Fantasy VII. Enfim, nunca saberemos o real motivo.

Enfim, hoje graças à magia da emulação e traduções fan-made você finalmente . Então se você quer um jRPG clássico e não aguenta mais re-jogar FFVI ou Chrono Trigger pela trocentésima vez, vá dar uma passeada no mundo de Treasure of the Rudras. Você com certeza não vai se arrepender!

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