TOP CNC Especial Mês da Mulher – As 12 maiores protagonistas femininas dos games

Lute como uma garota!

Representativadade feminina nos vídeo-games não é novidade… desde os anos 80, quando os gráficos dos games deixaram de ser totalmente quadradões e conseguimos discernir formas mais humanóides que temos a presença de protagonistas fortes no mundo digital.

Mas, em um mercado ainda dominado pelos cuecas de plantão, e com a hegemonia de personagens fortões e bombados, isso sempre pode melhorar! Por isso, o CNC resolveu prestar essa homenagem às nossas guerreiras, que chutam mais bundas que muito marmanjo! Essas são as 10 melhores protagonistas do mundo dos games!

Ah, antes que haja algum chororô porque personagem A ou B não foi incluída, vamos estabelecer algumas regras. Estamos desconsiderando o seguinte:

  • Jogos que não tenha um protagonista claramente definido (Ex.: Chun-Li do Street Fighter)
  • Jogos que possuam um sistema de criação de personagem (você decide o gênero do protagonista)
  • Jogos que com co-protagonismo (exemplo Claire e Leon em Resident Evil 2) – exceto casos que ambas sejam mulheres.
  • Jogos que oferecem opções masculinas e femininas para protagonista (exemplo Comandante Shepard, de Mass Effect)
  • Jogos que possuem uma protagonista feminina simplesmente para efeitos de hipersexualização (exemplo Bayonetta)
  • Mais quaisquer eventuais regras que eu vá cagando durante o caminho.
  • Andróides ou Robôs (Nier Automata)

A lista não está em em ordem de preferência, porém tentei colocar mais ou menos em uma ordem cronológica crescente da primeira aparição de cada personagem (da mais antiga para a mais recente). Bora lá?

Samus Aran (Metroid)

Nos anos 80, a cultura pop estava permeada por heróis de ação como Rambo, Bradock, Indiana Jones, entre outros. Neste período, a cena da donzela em período era um clichê presente mais do que nunca em várias mídias (inclusive games, vejam Double Dragon por exemplo). Para quebrar um pouco este paradigma, a Nintendo lançou em 1986 o primeiro Metroid para o Nintendinho 8 bits. O game é em torno de um personagem em uma aventura solitária em um planeta distante cheio de labirintos e perigos que nosso “herói” deve enfrentar sozinho. Mas a grande revelação do game no final é que na verdade quem estava por baixo da armadura era uma mulher! Obviamente Metroid bebeu muito da fonte de “Alien – O Oitavo Passageiro”, e Samus era uma clara homenagem à Ellen Ripley (Sigourney Weaver). Ainda assim, foi bem surpreendente e inovador para época, e Samus continua como um dos grandes ícones de empoderamento feminino no mundo dos games.

Como nem tudo são flores, infelizmente Samus também era usada como troféu para agraciar nerds tarados: quanto mais rápido você zera o jogo, com menos roupa Samus aparece no final quando remove a armadura. Isso se perpetuou por várias encarnações do game, até que finalmente a Nintendo criou vergonha na cara e colocou um macacão azul que era muito mais funcional e fazia muito mais sentido para ser usado debaixo de uma pesada armadura de metal.

Alis Landale (Phantasy Star)

Muito antes de Last of Us 2 e outras histórias recentes de vingança em games, láááá em 1987, Alis Landale já liderava um bando de cueca através das estrelas em busca de vingança pelo seu irmão – assassinado pelo feiticeiro e tirano interplanetário LaShiec.

Bora salvar o universo?

Essa é a história do primeiro Phantasy Star para Master System, game que impressionava não apenas por sua história rebuscada e protagonista forte, como também em diversos quesitos técnicos, muito à frente do seu tempo.

Terra Branford / Celes Chére (Final Fantasy VI)

Celes (à esquerda) e Terra (à direita) na arte de Yoshitaka Amano.

A primeira dobradinha da lista, e não é por menos. RPGs sempre tiveram personagens femininas mais atuantes, ainda que em menor número. Isto também é verdade em Final Fantasy VI, que possui apenas três personagens femininas em um impressionante rol de 16 personagens jogáveis. Mas duas destes personagens reinam como protagonistas absolutas da história. E, como estamos falando de um dos maiores RPGs já feitos até hoje, não é um feito pequeno.

Terra em Final Fantasy Dissidia

Na primeira metade do game, a protagonista é Terra. Uma mulher misteriosa que nasceu com o dom da magia, que acreditava-se estar extinta há muito tempo. Terra tava sendo controlada pelo Império para ser utilizada como uma arma viva, porém libertou-se do controle deles e se junta-se aos Returners, um grupo de rebeldes que luta contra o império. Acabamos descobrindo também que ela é meio humana, meio Esper (monstros míticos mágicos, o que explica sua habilidade com magia). Por mais que seja a chave para resolver este conflito ela está vive dividida entre os dois mundos, e grande parte desta primeira etapa da personagem é sobre auto-conhecimento e aceitação.

Já no segundo ato do jogo (vou soltar spoiler foda-se, o jogo é velho), Kefka consegue liberar o poder das estátuas e destruir o mundo. Do alto de sua torre ele reina como Deus absoluto deste mundo quebrado… e é nesta parte do game quem assume o manto de protagonista é Celes. O ponto forte da personagem é sua jornada de desconstruções. Ela é introduzida na trama bem antes, como uma dos generais do Império Gestahl, porém renunciou ao seu cargo ao ver a crueldade de Kefka e do Imperador. Locke salva ela da tortura e eventual morte certa em South Figaro, e a partir daí ela começa a colaborar com os rebeldes.

Infelizmente a única leitura moderna de Celes que tivemos até agora foi essa 🙁 de World of Final Fantasy

Quando o mundo ruiu com a queda do Floating Continent, nossos heróis foram pegos no meio da quizumba. Todos conseguem sair com vida, mas são separados no acidente. Celes é resgatada pelo seu pai de criação Cid, se tornado a única companhia em uma ilha isolada no fim do mundo. Cid já muito debilitado acaba morrendo, e Celes tenta se suicidar após a perda – uma das cenas mais chocantes do jogo (ah, a propósito, dá pra salvar o Cid, mas a sequência que segue não tem o mesmo impacto). Após a tentativa de suicídio falhar, Celes acorda pra vida, reúne o que sobrou de esperança e sai pelo mundo em busca de seus amigos perdidos para unirem forças e botarem um fim de vez nas ambições de Kefka.

Imagem do infame remake de FFVI.

Não por menos, Terra e Celes são até hoje duas das personagens mais complexas e profundas da história dos games.

Lara Croft (Tomb Raider)

Lara Croft pós-reboot

Lara Croft dispensa apresentações. Mas vou apresentá-la assim mesmo: protagonista de Tomb Raider, uma das franquias mais icônicas da história dos video-games, Lara é uma mulher que todo gamer conhece. Filha do Lord Croft, um magnata e aventureiro, Lara seguiu os passos do pai quando este desapereceu misteriosamente. Herdeira de uma baita fortuna, ela sai pelo mundo explorando tumbas e desvendando mistérios no melhor estilo Indiana Jones. Nathan Drake que me perdoe, mas Lara veio primeiro!

A evolução da Lara Croft

Forte, confiante, independente e corajosa, a exploradora de tumbas mais famosa do mundo dos jogos eletrônicos já protagonizou mais de 20 jogos desde seu “debut” em 1996, estrelou filmes (de gosto um tanto duvidoso), histórias em quadrinhos, e fez aparições até em turnês musicais do U2 e em comerciais de TV. Lara não é apenas uma musa dos vídeo-games, como também um grande ícone da cultura pop

Eu descascando batatas X a minha mãe descascando batatas.

Antes do reboot, Lara era uma personagem mais controversa: apesar de ser a razão de muitas mulheres começarem a jogar videogame, ela sofreu críticas e acusações de hiper-sexualização devido às suas proporções exageradas (os peitões triangulares, quem não lembra?) e trajes mínimos. Na nova trilogia da série (que reconta as origens de Lara como aventureira), contudo, vemos uma Lara mais humanizada, com proporções e trajes mais realistas, e uma maior profundidade psicológica: apesar de continuar sendo aquela Lara “badass” que todos conhecemos e amamos, é uma personagem em conflito, e por vezes toma decisões equivocadas e tem que pagar o preço das conseqüências.

Lenneth (Valkyrie Profile)

As valquírias da mitologia nórdica já são fodonas por natureza: são encarregadas de levar as almas dos guerreiros que tombam em batalha para Valhalla, depois de morrerem.

Neste game clássico da Enix / Tri-Ace (agora Squeenix), o buraco é mais embaixo. Lenneth deve não apenas selecionar os guerreiros caídos em batalha, como também treiná-los para combater o Ragnarok que se aproxima! Entre idas e vindas do destino, descobrimos que nossa heroína já fora humana e essa dicotomia entre seus sentimentos mundanos e sua responsabilidade como Deusa mostram que às vezes nossos conflitos internos podem ser maiores que os externos… mesmo que esse conflito externo seja o fim do mundo!

Um jogaço, cheio de nuances e reflexões, que não obteve um grande sucesso comercial na época, mas hoje adquiriu status de cult, merece uma protagonista que esteja à altura! E Lenneth com sua bravura em desafiar os Deuses dá mais do que conta deste desafio!

Valkyrie Profile: Lenneth para Android e iOS

Em tempo: este jogão está disponível para iOS e Android.

Jill Valentine (Resident Evil 3)

Jill no recente remake de Resident Evil 3

Jill Valentine iniciou na série como protagonista ao lado de Chris Redfield no primeiro Resident Evil, lançado em 1996. Os acontecimentos bizarros nos arredores da cidade americana de Raccoon foram o plano de fundo para o surgimento da personagem que se tornaria se não a favorita, uma das queridinhas dos fãs de todas as gerações, sem mencionar Jill também como sendo a “menina dos olhos” do próprio criador da franquia, Shinji Mikami. Em 1998, a jovem de 23 anos era a especialista em demolição da divisão especial de polícia chamada S.T.A.R.S. (uma espécie de SWAT pertencente ao Departamento de Polícia de Raccoon) e também a única mulher do grupo.

“Mas porra Balão, você não falou que co-protagonismo junto com cueca não valia?” Verdade, mas calma, estou chegando lá…

Um ano depois o pesadelo com zumbis voltaria para assombrar Jill, e que ela viraria alvo de uma criatura cujo único objetivo é o de eliminar os S.T.A.R.S. nas ruas de uma Raccoon City infestada de mortos-vivos. Essa é a trama de Resident Evil 3, em que Jill é a protagonista absoluta! Então não bastando ser uma “super-tira”, ela ainda tem que enfrentar um zumbizão bombado de 3 metros de altura e que sabe manejar uma bazuca! Não é fácil!

Jill no Resident Evil 3 original (1998) X a do remake (2020)

No recente remake do jogo (2020) tambem deram uma retrabalhada no visual da moça: assim como Lara Croft, Jill usava roupas insinuantes (e nada práticas) que foram convertidas em trajes mais funcionais e realistas no remake (alguém deve ter avisado os criadores do jogo que ela não conseguiria correr, pular e atirar usando uma brusinha tubinho, saia de couro justa e salto alto). Apesar disso, o visual militar clássico dela do primeiro game se manteve praticamente intacto ao longo dos anos.

Jade (Beyond Good & Evil)

A fotógrafa Jade tenta expor a corrupção do governo no clássico cult Beyond Good and Evil, da Ubisoft. Uma protagonista esperta e apaixonada (que também cuida de órfãos), ela tem uma personalidade que chama muito mais a atenção do que sua aparência.

Jade mostra que pessoas normais podem fazer a diferença, principalmente quando descobre uma conspiração alienígena e a enfrenta somente com uma câmera nas mãos e a fé que coloca nos outros. O legal desta personagem é justamente o fato dela não ser lutadora, militar, nem ter experiência com armas, ela é uma repórter em busca da verdade, mostrando que todo mundo pode fazer a diferença. Mesmo se for pra desbaratinar uma conspiração espacial!

Faith Connors (Mirror’s Edge)

O universo distópico de Mirror’s Edge precisa da força de uma rebelião, já que o governo totalitarista necessita ser deposto. Obviamente isso é trabalho para um comunista Faith Connors.

Ela passa a ser centro dessa insurreição, mesmo que tenha começado sua jornada como uma simples ladra. Ela não precisa de armas de fogo para tal, é atlética e consegue fazer qualquer cano se tornar uma arma poderosa.

PARKOUR!

Isso sem falar nas suas habilidades monstras com parkour! PARKOUR!

Senua (Hellblade: Senua’s Sacrifice)

Em uma era de fortes mulheres como protagonistas, Senua merece especial destaque. Hellblade: Senua’s Sacrifice é mais que um game, é um estudo de personagem com doenças mentais e psicose. Senua é uma guerreira Celta cuja terra natal foi invadida pelos Vikings e que teve seu noivo morto durante o evento. Traumatizada, ela embarca numa jornada para salvar a alma de seu amado, que não teve uma cerimônia de passagem. Para isso, deve chegar até Hel, o submundo dos deuses nórdicos, onde poderá liberar a alma e dar descanso eterno a seu noivo.

Alucinações frequentes e diversas ilusões mostram que Senua está nos primeiros estágios de psicose. Ao jogar, principalmente com um bom fone de ouvidos, ouvimos as diversas vozes que se manifestam pela cabeça da moça. Muito do que vemos nas florestas pode ser fruto de sua imaginação, e nós experimentamos esse mundo cada vez mais à medida que sua sanidade se fragmenta. A atriz que interpreta Senua, Melina Juergens, ganhou o prêmio do The Game Awards 2017 na categoria Melhor Interpretação, merecidíssimo!

Aloy (Horizon Zero Dawn)

A estrela de Horizon Zero Dawn é uma das personagens mais marcantes da história recente dos videogames. Em um mundo recheado de máquinas mortais, a “filha da montanha” quer descobrir a verdade por trás do seu nascimento e o que aconteceu com o mundo em que vive. Para isso, quebra paradigmas e desafia as leis tribais em sua incansável busca. Além de tudo, é hostilizada por toda sua vila por ser a diferentona.

Kassandra (Assassin’s Creed Odyssey)

Porra Balão! Quebrando as próprias regras de novo?! Em Asssassin’s Creed Odyssey você pode escolher entre Kassandra ou Alexios no começo!

Calma, eu explico (de novo)!

Primeiro que eles são personagens diferentes (e não o mesmo personagem com um gênero diferente, como o/a Comandante Shepard de Mass Effect, por exemplo).

Segundo que na adaptação literária do game (que é considerado cânone), Kassandra é a protagonista, e essa era a intenção no game originalmente: De acordo com quatro produtores que trabalharam em Assassin’s Creed Odyssey, a inclusão de Alexios na versão final do jogo foi uma diretriz da equipe de marketing da Ubisoft e de Hascoët, que teriam sugerido que “protagonista mulher não vende”.

Só por provar que eles estavam redondamente enganados já faz Kassandra merecer estar nessa lista.

Criada como uma mercenária desde sua infância, Kassandra foge completamente dos estereótipos femininos dos games: ela é grande, musculosa e repleta de cicatrizes de batalhas, o que mostra o passado sofrido da personagem. Mas nem por isso ela deixa de ser um doce de vez em quando <3

A série Assassin’s Creed está repleta de personagens femininos porretas, como Adeline de Grandpré, Evie Frye e, mais recentemente, Eivor em Valhalla. Mas por todos motivos citados acima (e vários outros), Kassandra foi merecidamente eleita pra representar a série.

Ellie / Abby (The Last of Us Parte 1 e 2)

E eu não poderia fechar esse top sem citar outra dobradinha mais recente: as inimigas juradas Ellie e Abby do (merecidíssimo) jogo do ano de 2020, The Last of Us Part 2.

Desde o primeiro game (que tinha Joel como protagonista principal), Ellie vinha sendo “preparada” para assumir o manto em uma eventual seqüência. A surpresa da trama fica por conta de Abby, que antagoniza Ellie e, para mim, foi a verdadeira protagonista do game.

Desde o princípio Last of Us 2 divide opiniões. Muitas pessoas (inclusive críticos respeitados) criticaram o game negativamente pela maneira como *SPOILER* Joel morre *SPOILER* e *SPOILER* Ellie poupa Abby no final ao invés de consumar sua vingança *SPOILER*. Eu discordo veementemente. O primeiro game já mostrava uma narrativa diferenciada e mais madura se comparado à outros jogos do gênero. O segundo transcendeu a maneira de contar uma história em vídeo-games e, quiçá outras mídias como cinema e TV também.

Quem critica o game negativamente provavelmente não entendeu a mensagem que ele quis passar.

TLOU2 é um estudo aprofundado sobre o ódio e a vingança, e como é um ciclo sem fim até um dos lados decidir ser “maior que tudo isso” e quebrar a roda. No começo, o game nos faz odiar Abby e tudo o que ela fez, mas no desenrolar da trama não só entendemos as razões por trás dos seus atos, como também desenvolvemos uma empatia pela moça quando passamos a jogar com ela na segunda metade do game – maior até do que temos pela Ellie, em busca de vingança por perder sua figura paterna. No final, é Abby que quebra esse círculo vicioso ao poupar Dina quando descobre que ela está grávida (mesmo tendo perdido todos seus amigos mais próximos para a vigança de Ellie).

O game evidencia bem essa dualidade de que não existe um lado bom ou ruim: Ellie e Abby são sobreviventes em um mundo quebrado que estão tentando… bem, sobreviver. Não existe certo ou errado, as duas são seres humanos passíveis de falha, e como falham! Mas estão em uma constante jornada de apredizado, e mostrando que mesmo diante de um apocalipse zumbi, podemos aprender com os erros do passado e nos tornarmos pessoas melhores.

E essa foi nossa singela homenagem às protagonistas mulheres do mundo dos games! Achou que alguma ficou de fora? Comenta aí!

Somos amiguinhas agora! #brinks #sqn

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