5 jRPGs Essenciais – Nintendinho

Achou que eu tinha esquecido dessa série especial de RPGs né? Pois acertou em cheio, tinha esquecido mesmo! Mas agora lembrei e vamos voltar com tudo, falando dos 5 jogos que você deveria jogar no Nintendinho 8 bits. Diferente do Master System, a casa do Mario (que Mario?) tem um acervo bem grande do gênero, o que torna a escolha de apenas 5 melhores um pouco difícil, então vamos definir algumas regrinhas que passarão a valer a partir de agora:

  • Só vale um jogo de cada série / franquia (e.g. um Final Fantasy ou um Dragon Quest).
  • Se for um RPG de ação, tem que existir algum tipo de progressão / customização (level up / skill tree / etc). Então sim, Zeldinha vai ter que ficar de fora.
  • Tem que ser “visto de cima” ou de um ângulo isométrico. Sidescroller com elementos de RPGs não vale. Então Zelda 2 está fora e Faxanadu infelizmente também (apesar de ser um excelente jogo).
  • Dungeon Crawlers como Megami Tensei em outros com perspectiva em primeira pessoa também não estão sendo considerados.
  • O foco são os RPGs japoneses (os jRPGs) então games como Pool of Radiance, Ultima IV e The Bard’s Tale, apesar de ótimos ports, também não entram na lista.
  • Só jogos que foram localizados em inglês, ou seja, que sejam de fácil alcance a todos. Lançamentos restritos apenas ao Japão (mesmo que tenham uma tradução “fan-mande), incluirei como menções honrosas.
  • Novamente, eles não estão em nenhuma ordem em particular, isto não é um ranking, todos os jogos são excelentes e merecem ser jogados.

Então, vamos lá?

Mother (aka Earthbound Beginnings / Zero)

Porra Balão, mas já vai começar a lista cagando as próprias regras? Calma que eu explico: Mother não foi oficialmente lançado na terra do Tio Sam e ficou restrito ao Japão na época. PORÉM, um protótipo da versão US chegou a ser concebido, mas foi descontinuado por motivos que não vem ao caso.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas, e por ironia do destino esse protótipo caiu nas mãos da galerinha da internet, que prontamente lançou uma rom pra geral sob a alcunha Earthbound zero (em homenagem ao título americando da seqüência para o Super NES).

Anos mais tarde (pra não dizer décadas – 2015 pra ser mais preciso), a Nintendo finalmente se espertou e lançou o jogo oficialmente para o seu virtual console, rebatizado como “Earthbound Beginnings”.

Porque escolhi o primeiro Mother como um dos jRPGs essenciais do Nintendinho? Bom, muito se fala do segundo game da franquia (Earthbound) e ele sempre figura em várias listas de melhores RPGs do Super Nintendo. Se eu concordo com isso? Talvez (mas já aviso de antemão que ele não está no meu Top 5 do Super NES).

Fato é que Earthbound apenas reciclou idéias, visuais e a estrutura do primeiro jogo. Desconsiderando as limitações técnicas de versão 8 bits, os dois games são bem parecidos, e o primeiro Mother parece não ter tido o devido reconhecimento para esses lados.

Earthbound desde sempre incentivando a violência contra os hippies.

Enfim, Mother é um jRPG ambientado nos dias atuais (o que já é bem inusitado mesmo paras os padrões de hoje), e revolve em torno de quatro jovens (Ness, Paula, Jeff e Poo – sim, com dois “o”) que possuem poderes psíquicos e devem impedir uma invasão alienígena encabeçada pelo vilão Gyigas.

Crystalis

Crystalis é um RPG de ação desenvolvido pela SNK, o que por si só já causa um pouco de estranheza. Sim, a mãe do NEO GEO e de jogos de luta e arcade outrora já fez RPGs! E um dos bons, por sinal.

Por increça que parível o jogo se passa num futuro distópico, no ano de 2097 (100 anos após uma guerra nuclear que fez a civilização regredir a uma era quase medieval).

A jogabilidade é bem simples e remete à Zelda, porém com uma progressão de personagem por níveis. Ah, e como todo game da era 8 bits, também era difícil pra caraleo.

Ah, e como curiosidade: dois personagens de Crystalis, Kensu e Asina são baseados em personagens do arcade Psycho Soldier, Kensou Sie a Athena Asamyia, que por sua vez viraram dois recorrentes lutadores da série The King of Fighters.

Final Fantasy I

O Nintendinho foi o berço da série Final Fantasy, e com certeza o primeiro foi o mais emblemático de todos… mas por ser o primeiro também apresentava algumas mecânicas rudimentares que não envelheceram tão bem… mas tudo bem, porque existem vários remakes que corrigem isso (inclusive para celular) e ninguem vai te julgar se você não jogar a versão original para dizer que você é hardcore. Ou vai?

Mas fato é que Final Fantasy I definiu todo um gênero (o famoso “4 carinhas enfileirados”) que persiste e é amado até hoje, e seria uma injustiça deixá-lo de fora dessa lista.

A história do game original também era um tanto à frente do seu tempo: o que começava com o salvamento de uma donzela em perigo e busca por cristais (clichês já batidos do gênero mesmo na época) culminava em uma reviravolta surpreendente para um vídeo-game de 1987, que envolvia até viagens no tempo.

Enfim, o primeiro Final Fantasy é presença indispensável no “playbook” de qualquer jogador de RPG que se preza.

Dragon Quest III (Dragon Warrior III)

Diferente de Final Fantasy, para Dragon Quest não vou recomendar o primeirão. Por que? Por mais que o primeiro tenha definido o gênero (talvez ainda mais que Final Fantasy), os primeiros dois Dragon Quest são bons, porém não se destacam tanto quanto o terceiro capítulo da série.

O jogo expandiu a jogabilidade não-linear e de mundo aberto de seus predecessores e introduziu recursos como um mundo persistente com seu próprio ciclo de dia-noite e um sistema de classes que foi usado posteriormente em outros jogos da série com Dragon Quest VI, VII e IX; e também influenciou a jogabilidade de futuros RPGs, inclusive o próprio Final Fantasy.

Ah, e outro motivo para escolher Dragon Quest III como o representante da geração: os três primeiros games são parte de uma trilogia, sendo DQIII o primeiro cronologicamente. Na história, “o Heroi” possui a tarefa de salvar o mundo do demônio Baramos. Reunindo um grupo de companheiros na equipe, o Heroi deve viajar pelo mundo, parando em diversas cidades e locais salvando gatinhos até juntar XP o suficiente pra peitar o monstrão.

Destiny of an Emperor

Talvez o menos conhecido desta lista, mas não menos importante.

O jogo foi baseado no mangá Tenchi wo Kurau por Hiroshi Motomiya, que por sua vez foi baseado no livro Romance dos Três Reinos que por sua vez foi baseado em eventos históricos dos anos turbulentos próximos do fim da Dinastia Han e da era dos Três Reinos da China. UFA!

Enfim, o legal é ele ter sido baseado em fatos reais, ou seja, as lutas são contra soldados, outros clãs, bandidos… e não contra orcs, minotauros, fadas e mais sei lá o que. Tudo em nome da precisão histórica, quase que um Assassin’s Creed rudimentar. Quer dizer, antes de Assassin’s Creed começar a ter orcs, minotauros, fadas e o escambau.

No game, temos os três generais como personagens principais, mas pode-se recrutar outros. O combate por turnos também é bem criativo em representar uma batalha de exércitos, já que os personagens não tem HP, mas sim o número de membros na unidade, já que cada general leva consigo dezenas de guerreiros. Também foi um dos primeiros games a usar o conceito de “All-out battle”, no qual todos os generais executam suas ações ao mesmo tempo e de forma contínua, até que um dos lados caia.

Além disso, tudo é coroado com algumas belas cutscenes que parecem ter pulado direto das páginas do mangá, coisa que era um luxo na época e eram mais comuns em games de ação como Ninja Gaiden.

Menções honrosas (todos lançados apenas no Japão, mas com traduções não oficiais):

  • Final Fantasy III (O mais redondinho e moderno da trilogia original do NES, infelizmente a versão 8 bits nunca ganhou tradução oficial, apenas vários remakes)
  • Fire Emblem: The Dark Dragon and the Sword of Light (primeiro game da longeva série de RPGs táticos da Big N)
  • Just Breed (um interessante blend de RPG tático com criação de monstros)
  • Silva Saga (um jRPG mais tradicional porém bem caprichado, lançado já no final da geração 8 bits)

É isso aí amiguinhos! Até a próxima (ou não!)

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