5 jRPGs Essenciais – Mega Drive

Quem disse que o Mega Drive não tinha RPGs? Seja quem for acertou, porque não tem mesmo! Mas sabe aquela máxima dos aplausos pra banda em boteco vazio “poucos porém sinceros”? No Megão é a mesma coisa… apesar de não contar com um cardápio variado no gênero, alguns poucos seguram essa responsabilidade com louvor, alguns deles chegando a rivalizar forte com os RPGs de Super Nintendo, que na época contava com a exclusividade da toda poderosa Squaresoft. Novamente, com nos outros top 5, algumas regrinhas de ouro pra não virar bagunça:

  • Só vale um jogo de cada série / franquia (e.g. um Phantasy Star ou um Shining Force).
  • Tem que ser “visto de cima” ou de um ângulo isométrico. Sidescroller com elementos de RPGs não vale. Então Cadash e Wonder Boy IV (apesar de serem ótimos) estão fora.
  • Dungeon Crawlers como Shining in the Darkness e outros com perspectiva em primeira pessoa também não estão sendo considerados.
  • O foco são os RPGs japoneses (os jRPGs) então games como Might and Magic II, Warriors of Eternal Sun e outros, apesar de ótimos ports, também não entram na lista.
  • Só jogos que foram oficialmente localizados em inglês, ou seja, que sejam de fácil alcance a todos.
  • Estou considerando apenas jogos para o console base – também não valem games lançados para o Sega CD (Lunar 1 / 2 e Vay)
  • Novamente, eles não estão em nenhuma ordem em particular, isto não é um ranking, todos os jogos são excelentes e merecem ser jogados.

Phantasy Star IV

Tratamento de rótulo de Catuaba mandatório nas capas americanas.

O quarto game da série de RPGs de ficção científica da SEGA é provavelmente até hoje o melhor de todos. Tanto que ofusca o II e III, também lançados para a geração 16 bits.

Que Aerith o que, eu chorei foi quando a Alys morreu! 🙁

Com um universo riquíssimo que já vinha se estabelecendo desde o primeiro game, e cutscenes que pareciam saídas do Sega CD e não do Megão base, PSIV impressionou em todos os aspectos.

Prazer, último chefão! Dessa vez existia uma Dark Force por trás do Dark Force!

Pena que depois desta quarta encarnação da série foi só ladeira abaixo com o foco em MMOs.

Shining Force II

Antes de ser mundialmente conhecida por clássicos como Golden Sun e o próprio Shining Force, a Camelot (então chamada de Sonic Software Planning) era um pequeno e desconhecido estúdio que comia o pão que o diabo amassou nas mãos da mãe do Sonic.

Maior e melhor que o primeiro! Ui!

A SEGA deu um ultimato à Camelot, eles deveriam repetir o sucesso dos games anteriores (Shining in the Darkness e Shining Force 1) porém com um orçamento baixíssimo e sem ajuda de estúdios terceirizados (Climax) dessa vez. Se fracassassem, o estúdio seria fechado.

Animações de batalha mais caprichadas na sequência!

Eles não só conseguiram como entregaram um dos melhores RPGs táticos da história. O segundo game da franquia pega tudo que deu certo no primeiro e deixa ainda melhor: Shining Force II é muito maior e mais livre, abandonando a narrativa em capítulos e apostando nos elementos de exploração de RPG.

Landstalker

Landstalker foi desenvolvido pela Climax Entertainment (aquela mesma que deu uma mão para a Camelot em Shining Force 1) e lançado pela Sega em 1992 no Japão, chegando um ano depois na terra do tio Sam. O protagonista é Nigel, um caçador de tesouros de 88 anos (deve ter feito harmonização facial). Na história, Nigel se junta à uma fada chamada Friday (sim, sexta-feira) para procurar o tesouro do Rei Nole, perdido há muitos anos em uma ilha inóspita.

Landstalker: diversão mesmo com a perspectiva ruim pra pulos!

O game é um RPG de ação com visão isométrica e alguns elementos de plataforma (o que na perspectiva limitada de 16 bits pode ser um poblema). Mas o ponto forte do jogo mesmo são os puzzles. Espere por elaboradas masmorras com mecanismos complexos que farão você perder algumas horinhas até pegar as manhas e descobrir o segredo. Para quem jogou Alundra (outro clássico RPG de ação do PS1) vai notar várias semelhanças, desde jogabilidade e até a aparência do personagem principal. O que faz sentido, pois a Matrix Software (desenvolvedora de Alundra) foi formada por dissidentes da Climax.

Beyond Oasis

Não dá pra falar de RPG para Mega Drive sem mencionar Beyond Oasis (Story of Thor na Europa e Japão). Este jogo, lançado em 1994, quebrou paradigmas por possuir gráficos impressionantes que realmente pareciam exceder a capacidade dos 16 bits e a paleta de cores limitadas do Mega. O visual parecia muito mais uma animação da disney do que um vídeo-game de época.

Qualidade gráfica de encher os olhos!

“Mas ele está na lista só pela buniteza”? Também não é por aí! Apesar de possuir mecânicas bem simplificadas para um RPG (sendo comparável até à um Zeldinha), o grande trunfo do jogo estava na parte da ação. Na hora da pancadaria era possível fazer alguns combos que na época eram vistos apenas em jogos de luta e beat’em ups, o que dava uma dimensão mais aprofundada ao combate do que apenas bater com uma espada. Os golpes e combos ficavam ainda mais diversos ao encontrar os quatro espiritos ao longo do caminho que te ajudam em batalhas e a resolver puzzles dos mais variados.

Fala sério, dá pra acreditar que é um game 16 bits?

No lado ruim, o jogo é bem curtinho e pode ser zerado em uma tarde chuvosa de domingo com dedicação suficiente. Mas não deixa de ser um jogaço que merece ser conferido.

Pier Solar & the Great Architects

Penei para decidir se incluía o Pier Solar ou não nesta lista, e o motivo é simples: ele não é um game licenciado para o console. Cuma? Isso mesmo, ele foi feito por um pequeno estúdio de fãs e lançado em 2010. O Mega Drive tem uma fanbase super ativa e até hoje continuam produzindo games para o console. Como exemplos temos o próprio Pier Solar, Xeno Crisis, Paprium, entre outros.

Cartucho de 64 Mbits, algo inédito no Mega Drive!

Mas decidi incluí-lo na lista pois apesar de não se tratar de um produto oficial e ser “temporão”, ou seja, lançado bem depois da vida útil do console e já ter referências de games mais modernos, ele tem muitos méritos. Primeiro, pela equipe enxuta de produção; segundo, pelo empenho em lançá-lo em cartucho para uma plataforma antiga quando tinham vários caminhos mais simples a seguir; e terceiro, porque o jogo é realmente muito bom… ele pega tudo que deu certo em jogos como Phantasy Star, Lunar e outros e faz um suco de jRPGs 16 bits, enquanto aproveita (e muito bem) a capacidade de seu cartucho de 64 Megabits (um record no mega, o anterior eram 40 Mb do Super Street Fighter II em 1994) entregando uma jornada mágica e inesquecível em suas quase 50 horas de campanha.

Nas plataformas mais modernas, você pode optar entre o modo pixelado original e o remaster HD.
Alguém ainda tem um Dreamcast?

Pier Solar também ganhou versões remasterizadas em HD para as principais plataformas digitais em 2014 (Steam, XBLA, PSN, Nintendo eShop… e até uma versão de – pasmem – Dreamcast), o que dá chance para todos conferirem esta pérola, mesmo quem não é um feliz proprietário de Mega Drive.

Outra vertente muito forte atualmente é a localização em inglês de alguns RPGs tailandeses para o Megão como Beggar Prince, Legend of Wukong e outros. Mas como não foram localizações oficiais, optei por deixá-los de fora dessa lista.

Menções honrosas:

  • Phantasy Star II / III
  • Shining Force
  • Crusader of Centy
  • Light Crusader
  • Sword of Vermillion
  • Sorcerer’s Kingdom
  • Traysia

E estes foram os 5 jRPGs essenciais do nosso querido Megão, video-game antigo mas que tem um lugar especial no coração dos brasileiros!

No próximo post da série, o bicho vai pegar! Vamos falar dos 5 essenciais para o… Super Nintendo, cuja parceria com a gigante dos RPGs Squaresoft culminou no que ficou conhecida como “A Era de Ouro” dos jRPGs. Aguardem!

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