5 jRPGs Essenciais – Playstation 1

Assim como o Super Nintendo foi a casa dos jRPGs na era 16 bits, o Playstation 1 foi o anfitrião da vez na geração 32/64 bits. Possivelmente porque o Nintendo 64 como ainda era de cartucho, e não podia acomodar as famosas cutscenes dem FMV (filminhos) como os CDs do console da Sony, então a Squaresoft acabou indo com força total para o PS1. Já o Saturn apesar de ter alguns representantes do gênero, era um console da SEGA, e a casa do Sonic nunca foi muito forte nos RPGs. Assim como no Super NES, a escolha não foi nada fácil, então adicionei algumas menções honrosas (e olha que dessa vez são várias!). Novamente, como nos outros top 5, vamos cagar algumas regras pra não virar bagunça:

  • Só vale um jogo de cada série / franquia (e.g. um Final Fantasy ou um Breath of Fire).
  • Dungeon Crawlers com perspectiva em primeira pessoa não estão sendo considerados.
  • O foco são os RPGs japoneses (os jRPGs) então RPGs ocidentais ficam de fora.
  • Só jogos que foram oficialmente localizados em inglês, ou seja, que sejam de fácil alcance a todos.
  • Novamente, eles não estão em nenhuma ordem em particular (ou está?), isto não é um ranking, todos os jogos são excelentes e merecem ser jogados.

Final Fantasy VII

Os outros dois FFs para PS1 podem até ser tecnicamente superiores, mas foi FFVII que definiu o gênero nesta geração. Com uma história ambiciosa, gráficos 3D de ponta (para época) e CGs espalhafotosos através de seus 3 discos, Final Fantasy VII agradou tanto veteranos dos jRPGs quanto novos jogadores, sendo a porta de entrada para muitos.

Esqueça os gráficos realistas do remake, esses simpáticos cabeçudinhos com braços de Popeye eram bem mais legais!
Da série coisas que queremos ver no remake: Cait Sith, o personagem mais aleatório de toda franquia FF!

As aventuras de Cloud & cia. cativaram toda uma geração de jogadores, e não por menos ele ainda é considerado um dos melhores da franquia até hoje.

Xenogears

Se muita gente ainda considera vídeo-games coisa de criança, imagina lá no final dos anos 90? Xenogears quebrou vários paradigmas ao tratar de temas maduros como filosofia, problemas psicológicos, xenofobia, e até um ensaio sobre diversas religiões. Isso tudo em uma ambientação repleta de robôs gigantes.

Lute a pé ou montado (ui!) em um dos Mechs gigantes.

“Ok, estão kibando Evangelion” – você pode dizer. Na verdade não, mas a comparação faz sentido: ambos bebem da mesma fonte em vários momentos, como o livro “O Fim da Infância” de Adam Cooke, por exemplo.

Xenogears teve uma produção conturbada, para dizer o mínimo. O curto período de produção (apenas 2 anos!) é refletido no segundo disco do jogo, onde a maioria da história é contada através de textos, explorando uma ou outra dungeon eventual. E muito conteúdo acabou ficando de fora. Então uma história que foi concebida como uma série de vários capítulos acabou nunca tendo uma continuação (a Square havia prometido que uma continuação aconteceria caso o jogo vendesse um milhão de cópias, mas como ele só atingiu 900 mil, o plano acabou sendo deixado de lado). Então infelizmente nunca saberemos o final da história como foi concebida… mas se você quiser saber mais sobre o mundo do game, foi lançado um livro chamado Xenogears Perfect Works (infelizmente só no Japão, mas teve uma tradução para inglês feita por fãs).

Uma das primeiras cenas de nheco-nheco que eu vi em um jogo sério
Claro que antes rolou um xavequinho!

Como uma continuação direta para o Xenogears nunca chegou a ser produzida, o produtor Tetsuya Takahashi deixou a Squaresoft em termos não muito bons, e o direito pelo uso do nome Xenogears acabou ficando em cima de um muro um tanto litigioso. Tetsuya de certa forma conseguiu dar continuidade ao seu sonho, mas fora da Square. Ele fundou a Monolith Soft, estúdio que em parceria com a Namco criaria o Xenosaga Episode I: Der Wille zur Macht, um sucessor espiritual de Xenogears. Este estúdio eventualmente seria vendido para a Nintendo e originaria Xenoblade, mas isto é história para outro post.

Suikoden II

Suikoden II é o segundo jogo da série de RPGs da Konami (Gensō Suikoden). Em termos de gráficos e jogabilidade, pouco mudou em relação ao primeiro, mas o grande destaque é a história, com personagens marcantes e várias intrigas políticas. O jogo conta também com um dos vilões mais memoráveis da história dos games, Luca Blight. Se fossemos comparar com outras mídias, Suikoden é uma espécie de Game of Thrones dos jRPGs.

Luca Blight – o cara que você vai amar odiar!

O game se passa alguns anos apos os eventos do Suikoden Original, e tem como eixo central a invasão do Reino das Highlands às cidades-estado de Jowston. O protagonista Riou é o filho adotado de Genkaku, um heroi que salvou Jowston em uma guerra contra Highland anos atrás. Riou e seu melhor amigo, Jowy Atreides, ganham cada um uma parte da Runa do Início (Rune of Beginnings), uma das 27 runas “verdadeiras” do universo Suikoden, e acabam envolvidos nas intrigas de invasão e no destino fatídico daqueles que portam as runas.

Você recruta um exército de personagens jogáveis, literalmente!

Como de praxe em todos os Suikoden, a jogabilidade é bem diversa, começando pelo grande número de personagens recrutáveis (108 no total!) e também o combate, que alterna entre o combate de grupos tradicional de RPGs, batalhas de exércitos que exploram o gênero de estratégia (similarr a Langrisser e outros games do gênero), e também duelos 1 a 1 em vários momentos climáticos do jogo.

Batalhas tradicionais…
Lutas entre exércitos…
E os famosos duelos mano a mano!

Em tempo: apesar de Suikoden II ser muito superior ao seu antecessor, eu recomendo começar pelo primeiro, já que eles são continuações diretas (então vários personagens retornam, tem várias referências da história e inclusive uma sidequest exclusiva se você importar o save do primeiro jogo). O primeiro é bem curtinho (cerca de 12 a 15 horas de gameplay), então serve como uma boa introdução.

Valkyrie Profile

No final de 1999 a Tri-Ace e a Enix ajudaram a engordar a já extensa lista de ótimos RPGs para o PlayStation com o lançamento do Valkyrie Profile. Nele acompanhávamos os passos de uma valquíria chamada Lenneth, que devia viajar por Midgard para coletar as almas de heróis derrotados nos campos de batalha.

Foi um grande sucesso tanto de crítica quanto de público, atingindo o status de Cult. Em 2006 o jogo ganhou uma versão melhorada para o PSP (Valkyrie Profile: Lenneth) e, mais recentemente, essa versão também saiu para Android e iOS.

Prepare-se para xingar muito este consagrado!
Treine seus Einherjar para serem dignos de Valhalla!
Como de costume em jogos da Tri-Ace / Enix, tem uma dungeon cascuda pós-jogo, com a Iseria Queen (tradução meio desengonçada para Ethereal Queen) como grande chefona.

O game apresentada uma gameplay inovador, não apenas pela jogabilidade que mesclava elementos de plataforma com combates por turno, mas também com alguns aspectos de estratégia, já que você é uma Valquíria e deve recrutar e treinar guerreiros para lutar em Ragnarok. Sem dúvida uma obra-prima dos games, e teve uma continuação igualmente boa no Playstation 2 (Silmeria). O terceiro capítulo da série, que focaria na valquíria Hrist infelizmente nunca aconteceu. Tivemos alguns derivados (inclusive joguinho para celular), porém nunca um Valkyrie Profile 3.

E bora chorar que esse jogo é triste pra cacete!

Breath of Fire III

Breath of Fire é / foi uma série de jRPGs da CAPCOM, e foi bem consistente em toda sua trajetória: todos foram muito bons (com exceção do quinto, esse é simplesmente ruim). Por isso foi tão difícil escolher um game entre os quatro que valem para representar a série nesta lista.

Oi Mygas!

Acabei optando pelo terceiro, pois foi o primeiro a apresentar cenários em três dimensões renderizados em tempo real e com opção de rotacionar a câmera (algo raro para o gênero na época), mas ao mesmo tempo manteve os personagens e monstros como belos sprites 2D.

Não se deixe enganar, o jogo é extremamente difícil!

Em companhia de Ryu, Nina (dois personagens recorrentes da série, tipo Link e Zelda) e sua turma, embarque nesta jornada épica para desvendar os segredos do Clã Dragão / Brood, em uma história que acompanha Ryu desde sua infância até a vida adulta.

Spoilei ou último chefão, foda-se!

Menções Honrosas

  • Chrono Cross (talvez o jogo que mais sofri pra não incluir no top 5, Chrono Cross é um excelente jogo, porém uma péssima continuação para Chrono Trigger)
  • Parasite Eve 1 / 2 (um interessante blend de jRPG com Survival Horror, gênero extremamente em alta na época)
  • Breath of Fire 4 (tão bom quanto o terceiro, porem o uso do 3D nos dragões acabou não ficando tão legal, dando uma aparência de incompleto em alguns momentos)
  • Final Fantasy VIII / IX (muito bons tecnicamente, mas não foram um marco com o VII)
  • Final Fantasy Tactics (considerado por muitos O MELHOR sRPG de todos os tempos)
  • Vagrant Story (jogo com um combate inovador e extremamente desafiador, e se passa no universo de Ivalice – mesmo de Final Fantasy XII e Tactics)
  • Star Ocean 2 (disputa com o terceiro o lugar de game favorito da franquia entre os fãs)
  • Legend of Legaia (RPG que utilizou sistema de montar combos durante a batalha de maneira bem original e inteligente)
  • Legend of Dragoon (a resposta da Sony para Final Fantasy VII)
  • Lunar: Silver Star Story / Eternal Blue (originalmente lançados para Sega CD, ganharam suas versões definitivas no PS1)
  • Alundra (action RPG que lembra muito Zelda, porém com uma história muito mais sombria)
  • Arc the Lad I/II/III (primeira série de RPG para o Playstation)
  • SaGa Frontier (confira nosso especial do remaster AQUI)
  • Wild Arms (RPG com uma ambientação que mistura alta fantasia e velho oeste. Concorreu diretamente com FFVII em seu lançamento e não fez feio. Ganhou até um remake para o PS2)

No próximo episódio… vamos falar da distinta concorrência da Sony na era 32 bits: o SEGA Saturn, console que não ficou muito conhecido pelos seus RPGs, mas que guarda algumas agradáveis surpresas! Não percam!

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