Das Antigas – Dark Sun 1 & 2

O jovem Balão sempre foi apaixonado por RPGs, então quando ganhei meu primeiro computador, um 486 DX 66 MHz para estudar (aham, estudar) fiquei abismado com os jogos (especialmente os licenciados do AD&D) que pareciam transpor a experiência do RPG de mesa para a telinha. Então meu coração sempre foi dividido entre os RPGs japoneses nos consoles, e os ocidentais no PC. Mas um game de computador (na verdade dois) têm um lugar cativo no meu coração: a Duologia Dark Sun.

Antes de Baldur’s Gate popularizar o AD&D nos computadores, uma empresa chamada SSI (Strategic Simulations Inc) já fazia um competentíssimo trabalho em adaptar diversos cenários de campanha para o PC, como Ravenloft, Forgotten Realms e, é claro, Darksun. A maioria acabava sendo “dungeon crawlers”, devido às limitações da época.

Dark Sun não apenas apresentava um mundo aberto (modesto, mas quando eu era moleque achava ENORME), como também um ritmo de aventura digna das melhores campanhas de mesas de AD&D. Baseado no cenário de campanha homônimo, a ambientação é uma mistura da alta fantasia tradicional com um toque pós-apocalíptico no melhor estilo Mad Max. O cenário também introduz novas e poderosas raças, como os meio-gigantes e os Thri-kreen, uma espécie de louva-deus gigante humanóide.

Thri-Kreen são uma boa pedida: fortes com porrada e magia! Porém não podem equipar armaduras.

Falar dos dois jogos em separado seria uma baita injustiça, já que eles são duas partes da mesma história. Já que estamos falando de AD&D tradicional, podemos considerar o primeiro jogo uma campanha para aventureiros de níveis 1 a 10, e o segundo para 11 a 20.

Dark Sun: Shattered Lands

Não seria um jogo raiz dos anos 90 se não tivesse a clássica capa rótulo de Catuaba.

O primeiro game tem uma história bem simples, e remete à Spartacus: na pele de 4 gladiadores, você deve orquestrar uma fuga da prisão e uma rebelião contra a cidade de Draj.

É claro que é mais fácil falar do que fazer! Para peitar um exército inteiro, você precisa completar missões, forjar alianças com outras cidades, e até pedir ajuda para um gênio em uma lâmpada mágica.

De escravo a rei!
Prepare-se para conhecer algumas criaturas bizarras.

Shattered Lands é uma introdução ao cenário e às mecânicas de jogo. Apesar de te deixar livre praticamente a partir do momento que você foge da prisão, encarar os exércitos de Draj sem aliados (e com um nível baixo) é uma tarefa quase impossível. Então não tenha pressa, revire cada canto do mapa em busca de novas quests, aliados e armas mágicas.

Faça aliados! Você pode até pedir ajuda para um gênio… isto é, se você não fizer cagada que nem na foto!
Na batalha final dos desertos de Athas
Como em todo bom jogo noventista, espere ver essa tela MUITAS vezes!

Ao final da batalha, você encontra a espada Dragonsbane no corpo do comandante inimigo e a ergue em vitória, o que é a deixa para o segundo game.

Final Stage! Após derrotar o exército inimigo, você emerge vitorioso com a poderosa Dragon’s Bane! E assim a lenda começa…

Dark Sun: Wake of the Ravager

Não apenas um, mas DOIS rótulos da Catuaba!

O grupo de aventureiros (agora já veteranos), desembocam na cidade de Tyr seguindo as pistas dos Draj restantes, mas acabam se envolvendo com um mal antigo nas profundezas da cidade.

Finalmente em contato com a Veiled Alliance, uma espécie de “movimento de Resistência” que já era mencionado exaustivamente no primeiro game, eles descobrem que o rei de Tyr foi assassinado e que um Kaisharga (uma espécie de Lich) que se auto-intitula “Lord Warrior” quer ressucitar um Tarrasque utilizando a Urna de Utaci para tomar o poder. E adivinha? Óbvio que cabe a você parar os planos do vilão!

Finalmente a Veiled Alliance dá as caras no segundo jogo!

Para tanto, prepare-se para o maior clichê dos RPGs de todos os tempos: você precisa reunir 4 artefatos mágicos (obviamente cada um representando uma esfera elemental diferente) para selar o bichão novamente na Urna, matar o Kaisharga e salvar o mundo. Original? Claro que não! Mas nem precisa!

O que vale no final das contas é a jornada… e isso Dark Sun faz muito bem! Em busca dos quatro tesouros você deve percorrer diversas regiões em torno de Tyr, desde Underdark até um vulcão ativo, resolvendo puzzles, dilemas morais e às vezes até políticos. Afinal de contas, porque não?

Mindlfayers são inimigos que dão trabalho….
Mas sem dúvida o maior inimigo do jogo são os bugs!

O único contra do segundo game em relação ao primeiro é que ele é meio bugadão, então lembre-se sempre de fazer vários saves separados para evitar frustrações futuras!

Enfim, a duologia Dark Sun é uma pérola perdida da geração de ouro da SSI que infelizmente não teve o devido reconhecimento na época. Mas não tema! Eles envelheceram como vinho e ainda merecem ser jogados nos dias de hoje, e dão um pau em muito RPG “novinho”. Em tempos de “novos RPGs retrôs” como Pillars of Eternity, Divinity Original Sin e Solasta, Dark Sun nunca pareceu tão atual.

Em tempo: a duologia pode ser comprada baratinha na GOG, por menos de vintchi reais (ou menos de dez, em uma promoção).

Final Stage! Um Kaisharga com cara de poucos amigos…
… invoca um Tarrasque para nossa dimensão!
E sobra pra você peitar o monstrão! Quantos D20 de dano é uma mordida de Tarrasque?
Promere’s Hammer (Terra); Cup of Life (Água); Lyre of the Winds (Vento); e Fire Ruby (Fogo): Pela união de seus poderes, eu sou o Capitão Plan… não, pera! Isso é pra selar o Tarrasque!
Aeeeee acabou porra!

Cantinho de dicas do Balão

  • Por mais que ambos os jogos ofereçam uma party “padrão”, eu recomendo trocar pelo menos um dos membros do grupo por outro half-giant. Os jogos são difíceis, e ter dois tanques ajuda bastante;
  • No Dark Sun 1 também é recomendável ter pelo menos dois personagens que saibam magias e tenham bons feitiços para áreas (fireball e afins). Eles serão muito úteis na batalha final. No 2, como temos um “chefão final” e não uma batalha de exércitos, a magia não é tão importante assim;
  • No Dark Sun 2, por mais tentador que pareça, NÃO crie sua party do zero; ao invés disso comece com o grupo padrão e daí troque os membros que desejar. Isso porque a Dragonsbane (uma espada +4) vem como equipamento padrão de Gerakis, se você começar com um grupo novo ninguém terá a espada
Por mais tentador que possa parecer, criar sua party do zero pode não ser uma boa idéia (principalmente no segundo game).
Essa é a party padrão em Dark Sun 2, pode ser uma boa idéia trocar um dos personagens (exceto Gerakis!) por outro half-giant.
Compre hoje mesmo! Disponível em CD-Rom e disquete!

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