Enfim, o fim: Evangelion 3.0+1.0

Há 8 anos eu escrevia sobre o terceiro filme de Evangelion numa sequência de filmes que recontavam a história do anime original de 1995 mas ele mesmo jã era de 2012. Numa esperança de que o quarto filme seria lançado em um tempo próximo dos outros guardei junto com aquela guinada de narrativa uma grande expectativa do que viria a ser a conclusão dessa história contada e recontada. Hoje como leitor de “As crônicas de gelo e fogo” já estou mais habituado com longas esperas e desilusões.

Olhando em retrospecto nada nos preparava para uma espera tão longa quanto esses 9 anos desde o último lançamento e, em meio ao que pode ser o mais improvável dos tempos, aqueles que nos remeteram ao fim com o ano de 2020 e a pandemia de Covid-19, o filme foi de fato lançado em Março de 2021 e recentemente chegou às plataformas de streaming no mundo todo via Amazon Prime.

Teria essa espera sido em vão e apesar das novas ideias implementadas no 3.0/3.33 voltaríamos ao mesmo lugar de sempre ou Anno conseguiria nos surpreender de maneira positiva? Acho que posso resumir meu sentimento sobre esse filme em apenas uma palavra: satisfação.

Eu não pretendo fazer aqui uma análise completa sobre todos os temas tocados no filme, suas implicações no universo de Evangelion tampouco as interpretações além dela. Aliás, acredito que a mensagem final do filme seja algo nessa linha e fique comigo que eu chego lá.

Do início com cenas de uma missão acontecendo em Paris na Euro-Nerv que nos mostra toda as tecnologias e técnicas disponíveis para que Anno pudesse completar sua visão de quase 30 anos pulamos diretamente para um Japão rural. O visual, uma trilha sonora que já começa lá em cima e a direção desse prólogo do filme contrastam diretamente com a calma do primeiro ato para nos lembrar que Evangelion, desde sempre, nunca foi sobre os robôs ou monstros mas sobre as pessoas no meio de tudo.

Somos jogados direto à uma vila no Japão que mostra que o mundo não acabou nesses 14 anos, por mais que tenha ficado bem ruim. Uma vila com rostos familiares mas também muita introspecção por hora forçada no Shinji, outra sendo apresentada a Ayanami e a negação da instrospecção de Asuka. Uma quebra tão forte da narrativa esperada que você pode se perguntar se aquilo terá mesmo algum valor para a história e ao mesmo tempo gostaria de ver mais e mais desse mundo bucólico e esperançoso ao mesmo tempo.

Obviamente que nada são flores pois o mundo ainda está perto do fim e o segundo ato é o tradicional ato de colocar os planos em ação, seja você o vilão ou herói da história e aqui acredito que seja o ponto mais fraco, ou menos forte, do filme por ser praticamente o que todos já vimos em qualquer anime e filmes por aí mas mantendo ainda o grande grau de produção com um pequeno adendo, ao meu ver positivo, que a trilha sonora numa das cenas de batalhas entre as naves remete claramente às trilhas sonoras dos animes dos anos 80 de guerras espaciais como Macross.

O terceiro e último ato é de longe o mais simples de entender como chegamos lá mas, Anno sendo quem é, também é o mais complicado e uma cachoeira de informações de entender. Apenas uma sessão do filme não é o suficiente para absorvê-las em sua plenitude. Fica evidente, até por ser dito por Gendou, que essa luta final será decidida em conversas e não brigas e aqui brilham os diálogos. Temos confirmações de teoria de loop, resoluções de décadas de ressentimento e, o mais importante, uma conclusão.

Aqui eu volto para o que eu entendo como a mensagem final do filme que enfim chegamos com a conclusão que Shinji mantém o mundo o recriando para quem ele gosta mas dessa vez, sem Evangelions – inclusive para nós. Anno sempre foi fascinado com meta-linguagem desde 1995 com toda a desconstrução do gênero que hoje é praticamente o próprio gênero então não é surpresa que o terceiro ato é praticamente uma sessão de meta-linguagem explícita e ao trazer um final que, dentro do universo, não há mais Evangelions e que todas as histórias já contadas aconteceram fecha-se, em definitivo, o ciclo.

Seja você um fã do final 25/26, ou do EoE ou até mesmo do mangá não há como negar que o 3.0+1.0 traz uma conclusão que fecha não apenas o ciclo dos rebuild como também de todo o universo de Evangelion. Uma nova gênese sem Evas — e não, eu não sou o autor dessa conclusão porque ela está lá explícita para você também.

Como disse antes, eu me sinto satisfeito. Nunca fui um fanático por Evangelion mas desde que assisti pela primeira vez em 2002 ele teve um lugar cativo em meu coração e acredito que agora todo fã de Evangelion pode finalmente descansar porque a história acabou. Assim espero.

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