Vamos jogar Streets of Rage?

Lá no final dos anos 80 / início dos anos 90, a SEGA lançou o Mega Drive com a proposta de trazer a experiência mais próxima do Arcade para os consoles caseiros. E não é que conseguiu mesmo? Em épocas em que as traduções dos arcades sofriam visíveis downgrades devido às limitações dos consoles de 8 bits, o Megão conseguiu entregar ports quase perfeitos de games como Altered Beast, Shinobi e outros.

Mas ainda faltava AQUELA franquia exclusiva para o console da SEGA. A idéia era fazer um beat’em para o Mega Drive, que ao mesmo tempo mantivesse a essência do gênero nos arcades, trouxesse também uma experiência otimizada para os consoles de mesa (nada de jogo feito pra perder e papar suas fichas). Ah, e de quebra tinha que bater de frente com o grande hit da época, Final Fight da CAPCOM (que por sinal recebeu uma versão caseira apenas para o Super NES). Nascia assim, lá em 1991, Streets of Rage (ou Bare Knuckle, no Japão).

Streets of Rage 1 (1991, Mega Drive)

Para o primeiro jogo, a SEGA montou praticamente um dream team: os produtores Noriyoshi Ohba (Revenge of Shinobi, Wonder Boy in Monster Land) e Hiroaki Chino (E-Swat, Sonic CD); e o compositor Yuzo Koshiro (Revenge of Shinobi, ActRaiser, Beyond Oasis) para trazer a memorável trilha e efeitos sonoros à vida.

Concebido originalmente como D-Swat, o game foi absorvendo vários elementos de outros jogos do gênero como Vendetta e o próprio Final Fight, bem como idéias e visuais de filmes e seriados de ação até ganhar vida própria e virar Streets of Rage.

Na pele dos três ex-policiais (Axel, Blaze e Adam) que juraram livrar as ruas do sindicato do crime encabeçado pelo Mr. X (que tem até a polícia no bolso, por isso os três pediram as contas), você deve vencer oito níveis repletos de desafios e porradaria. Com uma jogabilidade bem fluida, o game tinha alguns movimentos bem inovadores na época, que foram eventualmente absorvidos por outros jogos, como dar chute durante agarrões, mudar a direção do soco no meio do comando, entre outros.

Os três personagens originais

O game também introduziu o conceito de “golpe especial”, ao apertar o botão A vinha o icônico carro de polícia soltar uma bazucada na bandidagem!

Quem nunca apertou o botão A sem querer e chamou a “puliça” na hora errada?

Cantinho de dicas do Balão (SoR 1)

  • Selecionar Fases e Vidas: No menu principal, segure A+B+C e direita no controle 2. Aí com o controle 1, entre em “Options”.
  • Bad Ending: Só funciona jogando de 2. Ao chegar na Sala de Mr. X, ele pergunta se você quer ser o braço direito dele. Cada personagem deve escolher uma opção diferente, aí eles terão que lutar entre si. Ao ser questionado pelo Mr. X novamente, responda não e mate o chefão normalmente. No final, você assumirá o “trono”

Streets of Rage 2 (1992, Mega Drive)

Um ano após a queda de Mr. X e seu sindicato, a paz reina na cidade de Townsville. Axel virou guarda costas e Blaze agora trabalha como professora de dança, porém Adam resolve se juntar novamente a polícia.

Nada como um franguinho achado no lixo pra recuperar energia.

Um dia Axel recebe um telefonema desesperado de Eddie “Skate” Hunter – irmão de Adam – dizendo que sua casa estava revirada e destruída e seu irmão desaparecido. O desaparecimento de Adam marca o começo de um novo pesadelo: o sindicato estava de volta às ruas, agora totalmente renovados e com criminosos ainda mais perigoso, desde ninjas armados até mesmo motociclistas que arremessam bombas.

Dois veteranos e dois novatos na seqüência. Adam no momento está em outro castelo.

Axel contacta Max, seu velho amigo, Blaze e Skate, e decidem se unir para destruir novamente a organização criminal do sindicato, resgatar Adam e restabelecer a ordem e a paz.

Streets of Rage 2 tem uma jogabilidade bastante expandida em relação ao anterior, é possível realizar mais de um tipo de voadora, e utilizar um super golpe ativado apertando duas vezes para qualquer lado e o botão de soco. A mecänica do especial também foi aprimorada: cada personagem possui golpes especiais diferentes, e é possível efetuar um especial parado, e apertando para frente mais o especial, efetua um segundo golpe especial.

VATAPÁ!

Cantinho de dicas do Balão (SoR 2)

  • Selecionar Fases, Vidas e novas dificuldades: No menu principal, segure A+B e para baixo no controle 2. Aí com o controle 1, entre em “Options”.
  • Selecionar o mesmo personagem com Player 1 e 2: No menu principal, segure direita e B no controle 1 e esquerda e A no controle 2. Com tudo pressionado, pressione C no controle 2, selecione 2 players e pressione C novamente.

Streets of Rage 3 (1994, Mega Drive)

O terceiro game apresenta várias melhorias em relação aos seus antecessores, como um enredo mais complexo, inclusão de diálogo com personagens, múltiplos finais, níveis mais longos, dificuldade maior, cenários mais detalhados e jogabilidade mais rápida. As armas agora só podiam ser usadas algumas vezes antes da quebrar e podiam ser integradas a movimentos únicos com certos personagens, alguns personagens ocultos foram adicionados e algumas cutscenes foram incluídas para dar maior profundidade à história.

A infame fase de fugir da escavadeira…

Porém muita gente o considera o pior da série, pois foi o que começou a “pirar” mais longe, incluindo robôs e até um canguru (?!) na história.

Depois de ser derrotado duas vezes, o chefe do sindicato do crime, Mr. X, fundou uma empresa de pesquisa chamada RoboCy Corporation para servir de cobertura para suas atividades ilegais. O melhor roboticista do mundo, Dr. Dahm, foi contratado para ajudá-lo a criar um exército de robôs realistas para substituir importantes autoridades da cidade. Com as substituições, X planeja administrar a cidade usando um dispositivo de controle remoto. Sua organização criminosa, O Sindicato, colocou estrategicamente bombas em toda a cidade para distrair a polícia enquanto as autoridades da cidade são tratadas.

Mr. X, o eterno antagonista.

Dr. Zan descobre para que serve realmente a pesquisa e sabe que o Sindicato deve ser interrompido. Ele entra em contato com Blaze Fielding com os detalhes do plano do Sindicato. Blaze rapidamente entra em contato com seus antigos amigos Axel Stone e Adam Hunter para uma força-tarefa para derrubar o Sindicato de uma vez por todas. Axel rapidamente se junta à força-tarefa, mas Adam não consegue (devido a suas próprias atribuições da polícia) e envia seu irmão mais novo, Eddie “Skate” Hunter. O jogo tem quatro finais, dependendo do nível de dificuldade e se o jogador terminar certos níveis em um período de tempo determinado.

Axel, Blaze, Skate e o inédito Dr. Zan. Mas espera que tem personagens secretos!

Três dos chefes do jogo também podem ser acessados através de códigos ou procedimentos durante o jogo (veja seção de dicas abaixo). Ash (removido dos lançamentos ocidentais do jogo), Shiva (braço direito de Mr. X em SoR 2) e o canguru Roo.

Cantinho de dicas do Balão (SoR 3)

  • Selecionar Fases: No menu principal, segure cima + B no controle 1 e entre em “Options”.
  • 9 Vidas: Entre em “Options”e coloque o cursor em Lives. Aperte cima+A+B+C no controle 2 e esquerda no controle 1.
  • Jogar com Roo: Vença o Palhaço (sub-chefe) na Fase 2 sem matar o Roo OU na tela de título, segure cima+B no controle 1 a aperte start.
  • Jogar com Shiva: Vença Shiva no final da Fase 1, aperte B quando ele começar a gritar e segure o botão até o início da próxima fase.
  • Jogar com Ash (versão japonesa apenas): Vença Ash e mantenha o botão A pressionado até mudar de tela.
Quem foi mais homofóbico? Os estadunidenses por removerem Ash da versão americana do jogo, ou os japoneses por representarem um personagem gay de uma maneira tão estereotipada?

Interlúdio – por onde andou Streets of Rage?

Ok, então a franquia parou no terceiro jogo lá em 1994 e só veio dar o ar das graças novamente agora em 2020? Mas porque caralhos? Bom, com o fim da era 16 bits passamos dos jogos 2D para o 3D, e como bem sabemos, o gênero beat’em up nunca vingou em 3D (salvo raríssimas exceções).

Houveram tentativas, reza a lenda que um estúdio terceirizado tentou vender uma idéia de Streets of Rage 3D para a SEGA, mas o acordo acabou não rolando. Este jogo viria a se tornar o Fighting Force da Eidos (para PS1 e N64). Uma nova tentativa foi feita já na era do Dreamcast, mas o jogo acabou não

Foi só em 2018, com os jogos retrô voltando à moda e vários remakes e remasters reavivando o gênero que dois estúdios pequenos (Lizardcube e Guard Crush), sob uma licença de parceria da DotEmu com a SEGA, finalmente conseguiu tirar o Streets of Rage do papel. E aí, valeu a espera de mais de 20 anos? Ô se valeu!

Streets of Rage 4 (2020, Multi)

Streets of Rage 4 traz de volta a essência do beat’em up, mas com um novo estilo: com belíssimos gráficos desenhados a mão que lembram muito um desenho animado. A jogabilidade também traz de volta tudo que fez sucesso lá nos anos 90, mas ao mesmo tempo moderniza e implementa novos modos de jogo, segredos a serem desbloqueados e muito mais…. afinal, hoje o replay value também conta muito.

Prepare para revisitar cenários antigos…
… e também desbravar vários novos!

Ao longo de 12 fases da história principal (a maior campanha da série até aqui) é possível jogar com os veteranos Axel Stone e Blaze Fielding ou os novatos Cherry Hunter e Floyd Iraia. Cada um, obviamente, com seu estilo único. Também é possível desbloquear Adam como personagem jogável no decorrer da campanha.

Também como desbloqueáveis temos todas as versões dos personagens de Streets of Rage 1 a 3, em todo sua glória pixelada!

O enorme rol de personagens conta até com os sprites clássicos! (Nota: Estel, Max e Shiva são personagens desbloqueados apenas pelo DLC)

E não dá para falar de Streets of Rage sem falar da trilha sonora, outro carro-chefe da franquia. A icônica trilha de Yuzo Koshiro é difícil de superar, mas o músico francês Olivier Deriviere não deixa a peteca cair e também entrega um trabalho competente. E melhor aind! O próprio Koshirão (vai Koshirão!) volta no comando de algumas composições ao lado de outros grandes nomes do Japão.

O velho encontra o novo, em perfeita harmonia!

Tudo em SoR 4 é um capricho só. Muitos games usam o retrô e a nostalgia para justificar simplicidade – e às vezes até mediocridade. Obviamente não foi o caso aqui. Um jogo que faz valer toda a espera de décadas por um novo capítulo, que mantém todo o charme do clássico e inova de maneira positiva extendendo a jogatina por horas e horas.

Cantinho de dicas do Balão (SoR 4)

  • Jogar com Roo: Sim, o canguru favorito de todos também está presente em SoR4! No menu principal, segure o botão de ataque e depois para cima. Mantenha pressionado por alguns segundos e depois solte. Roo deverá aparecer na tela de seleção de personagens.
  • Fases bônus “retrô”: Você encontrará máquinas de arcade espalhadas por algumas fases. Se atacá-las utilizando um aparelho de taser, você será transportado para uma luta bônus com cenários e inimigos do jogos clássicos, inclusive alguns chefões e o próprio Mr. X!

Bônus: Mr. X Nightmare (2021, Multi)

Mês passado (e bem a tempo deste post), Streets of Rage 4 recebeu ainda o DLC “Mr. X Nightmare”, que além de desbloquear três novos personagens, ainda adiciona uma espécie de modo de sobrevivência.

Na história, usam o cérebro psicótico do falecido Mr. X para criar desafios insanos de realidade virtual para nossos heróis. A parte mais legal é que algumas desses fases incluem chefes e cenários pixelados dos SoR originais!

Nostalgia batendo forte!

Neste modo (que conta com desafios aleatórios ou semanais), os jogadores devem combater hordas de inimigos enquanto lutam para permanecer vivos e avançar para a próxima fase. Se perder é game over e você deve começar tudo de novo. Mas a cada rodada você pode escolher um “power up” que vai facilitar sua vida em alguns aspectos e possivelmente dificultar em outros (por exemplo, aumentar sua força em troca da capacidade de pulo). É quase um rogue-like de beat’em up.

Bem vindo à Arena de Mr. X Nightmare!

Outra coisa interessante é que ao completar um dado numero de rodadas, você desbloqueia novos golpes para seus personages – que podem ser utilizados inclusive no modo campanha!

Sendo um desafio infinito e aleatório, ele aumenta muito a replayability do jogo. Porém a ausência de uma nova campanha ou pelo menos algumas fases inéditas fazem com que o DLC fique cansativo rápido e pareça um “cash-grab”. Por outro lado, ele foi lançado com um valor bem acessível (R$ 16,59 na Steam), o que faz com que o investimento valha a pena mesmo não oferecendo muito conteúdo inédito.

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