Vamos Jogar Star Ocean?

Já que o especialista residente do CNC em Star Ocean (o Mamika) tem preguiça de escrever, cabe ao Balão falar da longeva série de jRPG que mistura alta fantasia com ficção científica criada pela tri-Ace e atualmente distribuída por ninguem menos que a toda poderosa e nossa adorada SQUEENIX.

E olha só: bem em tempo do recente anúncio de Star Ocean 6! Será que ele vai conseguir ser ainda pior que o 5? Nunca duvide!

Vamos lá então!

Star Ocean 1 (Super NES, 1996) / Star Ocean: First Departure (PSP, 2007)

Enfim, bora contextualizar um pouco: o primeiro Star Ocean foi lançado em 1996, ainda lá para o Super NES no final de sua vida útil. Ele foi feito por um pessoal que saiu meio brigado da Namco na época do desenvolvimento de Tales of Phantasia (por isso a semelhança entre os dois jogos), e fundaram a tri-Ace.

O game original nunca foi lançado fora do Japão – primeiro porque o PS1 já estava a pleno vapor na época; segundo, devido à complexidade já que o cartucho fazia uso dos infames “chips especiais” para incluir vozes digitalizadas no jogo. Ele recebeu uma tradução feita por fãs alguns anos depois.

Já em 2007, a tri-Ace lançou um remake do jogo para PSP, utilizando o engine do já consagrado Star Ocean 2. Se quiser um bom ponto de partida, recomendo começar por esse remake e desconsiderar a versão original. Não que ela seja ruim, mas o engine de SO2 é bem mais “azeitado” e fluido.

O primeiro Star Ocean conta a história de Ratix, um jovem que vive no subdesenvolvido planeta Roak. Um dia, uma estranha doença que se transmite ao tocar a alguém começa a transformar em pedra à gente da cidade vizinha. Ratix e seus amigos saem em busca de uma erva milagrosa no topo de uma montanha para curar a galera. Chegando lá eles se deparam com o grande plot twist do jogo: encontram com dois viajantes espaciais, Ronixis J Kenni (sempre tem um Kenni) e Iria Silvestoli, e descobrem que a tal “doença” é na verdade uma arma biológica vinda do espaço e os dois astronautas estão ali para investigar.

Star Ocean 2 (Playstation, 1998) / Star Ocean: Second Evolution (PSP, 2008)

O segundo game é considerado por muitos (eu inclusive) o melhor da série. Com sprites 2D e cenários 3D pré-renderizados, o game fazia bonito na era PS1 e o visual ainda se sustenta até hoje. O combate, bem dinâmico e desafiador também foi uma grande evolução em relação ao primeiro game.

A história acontece 20 anos depois do jogo original. A primeira metade da trama do jogo se passa no planeta Expel, um planeta subdesenvolvido onde ainda dominam grandes reinos, espadas e feitiçaria.

O jogo conta a história de Claude C. Kenni (falei que sempre tem um Kenni), filho de Ronixis J. Kenni (do original), que acaba sendo teletransportado por engano para Expel; e Rena Lanford, nativa do Planeta Expel. Star Ocean 2 inovou justamente ao possibilitar a escolha entre esses dois protagonistas, embora a história em si não fique muito diferente, só muda o ponto de vista.

Claude, ao usar uma arma laser para salvar Rena, acaba sendo confundido com um “escolhido empunhando uma espada de Luz” de uma profecia, e os dois embarcam numa aventura do barulho. O jogo também é bastante não linear, dando certa liberdade para o jogador escolher o caminho, o que influi também diretamente nos personagens recrutáveis. É preciso pelo menos uns três playthroughs para recrutar toda a gangue.

Assim como primeiro, SO2 também foi lançado para o PSP em 2008. Porém diferente do primeiro não foi um remake completo, é essencialmente o mesmo jogo com algumas melhorias. Um spinoff (Star Ocean Blue Sphere) também foi lançado para Gameboy Color em 2001 – exclusivo para o Japão.

Star Ocean 3: Till the End of Time (Playstation 2, 2004)

Star Ocean 3, além de ser o favorito do Mamika (eu ainda prefiro o 2), foi o primeiro totalmente em 3D.

Como de costume a grande maioria do jogo se desenvolve em planetas subdesenvolvido O universo presencia um conflito entre a Federação Pangalática (à qual pertence a Terra) e o Império Aldian, além dos problemas ocasionados pelo grupo separatista Quark e, mais adiante, pela nação Vendeeni, que quer acabar com a família Leingood (ou seja, você, caro protagonista) por motivos escusos que só eles sabem.

SO3 é o famoso caso de ame ou odeie. Ainda mais que no final do jogo rola um plot twist cabeludo que deixou vários jogadores extremamente decepcionados (eu particularmente gostei).

Foi o único da série que joguei meio fora de sua época (finalizei recentemente) e posso afirmar que o jogo não envelheceu muito bem. Desde hitboxes meio “roubados” para o computador até minigames frustrantes e dungeons excessivamente longas apenas para aumentar o tempo de gameplay fazem que o jogo não desça muito legal e seja meio cansativo para os padrões atuais.

Mas nem por isso ele deixa de ser um grande game que merece ser jogado, nem que seja apenas pela história (bote no modo easy e seja feliz). Ele pode ser encontrado em sua versão “remasterizada” para PS4 sempre por um precinho camarada.

Star Ocean 4: The Last Hope (Xbox 360 / Playstation 3 / PC, 2009)

Star Ocean: The Last Hope curiosamente foi lançado originalmente APENAS para o Xbox 360, ganhando sua versão internacional para PS3 apenas em 2010 (e, mais recentemente, também para o PC).

O sistema de batalha conta com grupos de quatro personagens e com maior enfoque no trabalho de equipe. Comparando com games anteriores, o grande mérito de Last Hope é a maior ênfase na ficção científica e viagens interplanetárias. Você controla a sua própria nave espacial, viajando entre cinco planetas e outros destinos espaciais.

O game gira em torno de Edge Maverick (adoro esse nome hahahaha) e seu grupo contra uma misteriosa ameaça conhecida por Grigori.

Star Ocean 5: Integrity and Faithlessness – de onde caralhos os japa tiram esses nomes? (Playstation 3 / 4, 2016)

Esse é bem ruinzão. Sério. É de longe o pior da série. A menos que você tenha TOC por complecionismo como eu, passe longe.

A história se passa em algum lugar entre SO2 e 3 (eu acho) e não agrega valor nem pra um nem pro outro. Você controla um sujeito chamado Fidel – que adivinha? Mora em um planeta subdesenvolvido e se vê às voltas com homens do espaço e uma iminente invasão alienígena.

Sendo bem sincero, SO5 tinha bastante potencial. Os gráficos são bacanas até e cravados no 60 fps (mesmo no PS4), o sistema de jogo é ok e dosa ação e RPG na medida certa… o problema é que o game pecou no refinamento final. Uma historinha insossa e repleta de clichês e personagens sem profundidade nenhuma, e uma campanha curta (aproximadamente umas 17h), linear e com “exploração espacial” praticamente nula fazem com que seja uma experiência bem esquecível. O que é uma pena, porque parece que a SQUEENIX não deu tempo nem dinheiro suficiente pra tri-Ace fazer algo minimamente interessante, já que SO não é carro chefe da casa, como um Final Fantasy ou Dragon Quest da vida.

Outro grande erro é usar TODOS os 7 personagens jogáveis na party ao mesmo tempo, o que faz com que o combate vire uma zona e vc não entenda nada que está acontecendo.

Enfim, um baita potencial desperdiçado, o jeito é torcer para que o recém anunciado Star Ocean 6 compense essas falhas e entregue uma experiência digna (spoiler: não vai).

Veredito do Balão: Star Ocean é uma clássica franquia de jRPGs que faz um blend bem interessante de fantasia capa-e-espada e ficção científica. Recomendo com veemência pelo menos os três primeiros, os melhores da série: SO2 > SO3 > SO1 >>> SO4 >>>>>>> (abismo) >>>>>>> SO5.

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